Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Tempo x Prioridade


De vez em sempre eu deixo essa minha casa abandonada. Não tem outro jeito. É assim. Já prometi mil vezes que daria mais atenção a essa casa, mas não consigo. Então de vez em quando venho aqui, releio, admiro, dou uma espanadinha e deixo. E me dou conta que isso não acontece só aqui. Em vários aspectos da minha vida também. O fator maior é tempo e prioridade. Muitas pessoas, inclusive eu, quando escuta alguém falando: não tenho tempo! Penso logo: tempo é prioridade, se você não teve tempo pra isso é porque não priorizou. E quando temos pelo menos dez prioridades num dia só, como foi no meu sábado? Algumas prioridades não consegui cumprir. Olhei para a minha agenda e não tinha um dos 10 compromissos que não fossem importantes. Não saí na sexta a noite para não cansar e acordar tarde. Acordei relativamente cedo para um sábado meu e fui pra rua tentar cumprir as prioridades. Voltei pra casa a noite já e ainda faltaram duas prioridades. Tempo é prioridade? É. Mas hoje em dia, com o horário que eu me coloco de trabalho, as prioridades se acumulam e não sobra tempo para priorizá-las. E tenho certeza que isso não acontece só comigo.
Depois eu fico me criticando, que eu sou preguiçosa, que não sou disciplinada. E assim vai gerando culpa e desestímulo. Preguiçosa? Como? Trabalho no mínimo 10 horas por dia. Não quero aplausos como eu vejo muita gente competindo quem trabalha mais para poder dizer que é ativa. Trabalho porque gosto e porque preciso. De qualquer forma está chegando o dia em que vou ter que rever meus horários. Não me sobra tempo durante a semana pra quase mais nada. Quando eu tenho tempo livre, ou estou cansada, ou tenho coisas de casa pra fazer, ou tenho restos de trabalho para estudar ou elaborar, ou quero ver filmes, sair com amigos, dançar, brincar com a Lola, dormir ou dormir ou dormir. E ainda quero ir na costureira, mandar consertar meu tênis que descolou, mandar emoldurar uns quadros, quero pintar outros que estou atrasada, quero arrumar minha casa, minhas coisas, os documentos que eram da mamãe, os meus, arrumar minha mala para a viagem que está próxima, quero organizar os dias que não vou estar aqui, quero organizar os dias que vou passar lá, ler sobre os lugars que quero conhecer, escolher onde eu quero ir...também tenho pelo menos 2 livros pra ler e 2 filmes pra ver com certa urgência. Quero ainda, aprender a tocar piano, fazer um curso de inglês, depois espanhol e depois italiano (pelo menos), fazer ginástica para me ajudar a emagrecer. Gostaria muito ainda de fazer yoga ou meditação, frequentar de novo o Centro Espírita, fazer massagem relaxante pelo menos uma vez por semana, conseguir fazer minha unha toda semana, manter a depilação em dia, manter o cabelo em dia, fazer uma limpeza de pele. E ainda tenho que levar o carro para fazer o orçamento da revisão e depois contratar a revisão e ficar sem carro por pelo menos um dia.E ainda planejo fazer algum trabalho voluntário. Adoraria fazer terapia de grupo com crianças em alguma creche e trabalhar em alguma comunidade elevando a autoestima para melhorar a cidadania. Ah! Também adoraria aprender a cozinha e plantar!
Com tudo isso, eis a questão: tempo é prioridade e para as prioridades precisa-se de tempo!

(não preciso dizer que é uma luta diária aplacar a ansiedade com tantas demandas. Estou conseguindo. Uma coisa de cada vez.)

Terça-feira, Julho 26, 2011

As vezes eu tenho a impressão que a vida é uma sucessão de dias em que vamos resolvendo o que surge para podermos continuar nela. Cansa. E muito.

Sexta-feira, Maio 27, 2011

Salvador


Salvador não é uma cidade de beleza óbvia. O mar é um adorno de óbvia beleza em todo lugar. O mar salva Salvador. Mas não é só o mar não. A cidade me conquistou logo na chegada. Na saída do aeroporto tem uma estradinha com um bambuzal que, juntos e emborcados, fazem um túnel aconchegante. Ao sair dele a paisagem não é bonita. Mas não importou. A conquista, às vezes dura um momento e teu coração fica preso para sempre. Assim aconteceu com a Lola quando, na primeira vez que a vi, ela inclinou a cabeça pro lado e mexeu as orelhas... ali e naquele instante, não teve mais jeito pra mim, ela me conquistou eternamente. Salvador foi assim, em um momento eu fui conquistada. Não importou mais nada o que eu vi ou o que aconteceu, pois eu já estava “cega”. O momento da minha conquista em Salvador foi justamente na saída do bambuzal, olhei para um lado e vi num muro uma inscrição: “A vida é muito mais do que seus olhos podem ver”. Ali eu me rendi. Ao ler essas palavras fui tomada por assalto de paixão pela cidade que me recebia com tão significativa mensagem, me convidando a ampliar os horizontes. E essa paixão continuou ao perceber que não é o mar que salva Salvador e sim a ARTE.



Que o povo é musical, todos já sabem. Que tem um gingado lindo de ver e de acompanhar, também. Que o sotaque é envolvente numa malemolência contagiante, quem já escutou, sentiu. Mas nunca, nunca imaginei uma cidade tão visualmente artística. Quase como uma sala decorada em que se aproveita todos os detalhes, Salvador me surpreendeu.


Existem terrenos baldios e sujos, existem casas destruídas e abandonadas, existe o feio na passagem, mas existe a arte em tudo que é lugar, mesmo nesses lugares. Em quase todos os terrenos baldios sempre tinha ou um desenho ou um mosaico numa parede. Na beira mar esculturas de ferro ficam a mercê do olhar de qualquer um. Numa outra calçada uma vaca feita de cera. E numa rua, as estátuas das gordinhas que, não sem uma espécie de identificação, me conquistaram.


Apaixonante...por onde eu passava sempre tinha um detalhe num muro (a grande maioria com desenhos, pinturas ou escritos), um morro com alguma instalação de arte. A lagoa com os orixás, até o mar estava adornado, cheio de navios.


Eu gostei...eu vibrei...me apaixonei por essas visões tão detalhistas...continuo dizendo, Salvador é uma cidade imensa, mas parece um apartamentinho decorado com todo esmero. Ao ponto de, no encontro de um morro com um viaduto, estar ali, pregado ao morro, um vasinho de cerâmica com flores, tal qual, numa salinha de estar. Estar bem. Me senti bem. Obrigada Salvador!

Domingo, Maio 08, 2011

Minhas 03 mulheres

Minha vida sempre foi e é permeada de mulheres com presença na vida e fortes. Não tenho como não aprender com elas todos os dias. São minhas irmãs, minhas primas, minhas tias, minhas amigas. Todas elas, sem exceção, marcam um canto da minha existência: por uma característica que eu adquiri, por um olhar que eu desvelei, por um sentimento que eu desenvolvi... minha vida é permeada por essas mulheres incríveis. Delas todas, 03 não estão mais aqui comigo. E deixaram uma ausência de forma muito presente, pois foram mulheres que preencheram a minha vida em diversos momentos e me deram o sentido da existência. Essas três mulheres, fortes, foram, em vida: a minha Avó Marisanta, a minha Madrinha Elizabeth e a minha Mãe Lourdinha. Elas me deram muito. Marcaram minha vida para sempre. Com elas aprendi muitos caminhos, muitas histórias... Com elas eu vivi momentos que eu serei eternamente grata.
Minha vó era uma mulher forte. Desde cedo passou por perdas inimagináveis à alguns. Lembro que, quando eu era menor, eu ficava contabilizando mentalmente todos os parentes que ela tinha perdido: perdeu os pais, depois o marido (do qual ficou viúva o resto da vida), perdeu um filho, depois irmãos, perdeu neto... vovó experimentou quase todas as perdas... mas mesmo assim ela não esquecia de si mesma e não se entregava a dor. Era uma mulher vaidosa, cheia de amigas, inteligente, organizada. Ela foi morar com a gente quando a mamãe se separou, foi ajudar sua filha na nova etapa de sua vida. E acabou que ajudou a nos criar. Eu dormi muitos anos ao lado da minha vó e por muitos anos, vovó deixava eu ficar de luz acesa, mesmo quando ela queria dormir, pois eu queria ler... ela sabia, do jeito dela, como estimular o que achava certo.
Ela me ensinou a bordar e com isso, a ter mais paciência para as coisas, ponto a ponto, irem sendo construídas, para que o bordado tomasse a forma perfeita que lhe cabia e com isso, me ensinou a persistir. Vovó me levava em suas reuniões de bordados, onde tive contato com freiras, com pessoas que bordavam para vender e assim poder doar para trabalhos de caridade. Desde cedo, ela me ensinou a generosidade e dar do próprio trabalho.
Vovó era organizada, queria ter herdado mais da sua organização, mas uma coisa eu herdei...lembro até hoje de todas as vezes em que eu criança, com muita vontade de comer gelatina, pedia dinheiro pra ir comprar e ela tirava de seu guarda-roupa uma bolsinha, com um envelope dentro e com toda a calma, tirava o dinheiro, escrevia atrás do envelope o valor e pra que era, e fazia suas contas. Eu, atualmente, me pego colocando dinheiro em envelope numa bolsa dento do meu guarda roupa. Igual. Vovó também me ensinou a dar valor a religiosidade e a força de ter fé. Lembro, até hoje, que quando morávamos no Banna e dormíamos juntos, ela me ensinou também a admirar a lua. Dormíamos de janela aberta e quando era noite de lua cheia ela me chamava a atenção para a beleza da lua e sua luz entrando em nosso quarto. Ela me ensinou a poesia do olhar...
Minha madrinha era uma mulher forte. Como não ser diferente. Mãe de 04 filhos de fato, porém mãe de muitos outros filhos que ela colocava debaixo de seus braços. Mãe também de minha mãe. Mãe das minhas irmãs. Minha mãe. Ela exalava maternidade. Ela exalava cuidado e atenção. Ela não era uma pessoa melosa...ela sabia dar carinho pelo olhar e principalmente pelos gestos. Minha madrinha, abriu as portas de sua casa assim que minha mãe se separou e fomos morar com ela. Sua casa era cheia de vida. Ali, aprendi, a me deixar levar pela alegria, pela vivacidade, por uma casa constantemente em movimento. 
Generosidade talvez fosse seu maior movimento de vida, o que aprendi uma terça parte somente. Minha madrinha tinha um jeito todo peculiar, falava suas verdades sem mandar algum recado, era sincera, mesmo quando tinha que chamar a atenção. Sincera, séria, brigava, falava, para logo depois, abrir um sorriso que confortava qualquer um de nós.
Presença marcante na minha vida desde cedo, eu sempre disse à mamãe que tive sorte dela ter escolhido a Bebeca pra ser minha dinda. Ela era louca por mim, eu sei... e eu sinto até hoje, que não dei tanto à ela como ela me deu. Mas acho que esse sentimento é natural quando se trata da relação filial que tivemos. De qualquer forma ela nunca pedia mais. Ela aproveitava a vida com o que tinha. 
Ela me ensinou a resistir a dor. Dinda viveu com dores por muitos anos. Sempre trazia um sorriso, sempre se movimentou, mesmo na cadeira de rodas, ela ia para o shopping, ela viajava com sua família, fazia compras, nos visitava... ela nunca se entregou à dor. Acho que Deus pensou realmente que não seria o caminho da dor que iria tirá-la dessa vida quando fosse a hora. E realmente não foi. A dor não venceu. Ela venceu a dor e deixou uma importante lição. 
Minha mãe era uma mulher forte. Demorei para decifrá-la. Minha mãe tinha uma vivacidade que sofreu grandes abalos, mas era tão grande, que mesmo assim, ela ainda mostrava sua força no final. Uma mulher corajosa para enfrentar a vida. Uma mulher que aprendeu coisas da vida fora do tempo e com atraso e que, mesmo assim, conseguiu se equiparar ao ritmo da vida. Ela me ensinou a dar valor ao trabalho. Ela me ensinou a gostar de aprender e de ensinar. Minha mãe era uma professora nata, dava suas lições com brilho no olhar, uma imposição na voz que eram marcantes. Muitas vezes eu apontava o tom professoril, quando ela era tomada por uma energia e começava a me explicar conceitos dos quais ela estudava. Minha mãe me ensinou a me transformar.
Minha mãe, já disse isso antes, me ensinou a ser mais humana ao mostrar suas imperfeições. Minha mãe também me ensinou a ser generosa, ela era um exemplo disso. Morei com ela durante 38 anos. Ela me permitiu crescer ao seu lado e me permitiu aceitar e rejeitar partes suas para que desenvolvesse a minha crítica. Talvez ela nem soubesse o que estava fazendo, mas a forma como ela se entregou a nossa relação me deixou muitas lições. Minha mãe nunca foi autoritária, e com isso me ensinou o valor de reconhecer uma autoridade moral e nunca uma autoridade fabricada pelo poder do mundo. Isso também abriu portas para o questionamento do que, realmente, nesse mundo tem valor para mim. Eu poderia ficar aqui o dia todo falando de tudo que eu aprendi dela e de minha vó e da minha Dinda, mas, pensando bem, ainda tem uma lição que elas me ensinaram e talvez a maior delas, que foi sobre o amor. Foi me ensinar que o amor não tem um jeito específico e generalista de ser...que as pessoas amam, cada uma do seu jeito, que reconhecer esse amor é uma dádiva e que não existem regras e nem momentos certos para amar e que o amor pode ser generoso e fartamente distribuído, ele nunca fica escasso.  
Minhas 03 mulheres: fortes, generosas, justas, amorosas. Agradeço à Deus a oportunidade delas terem me dado colo, amor, amizade e principalmente, cuidado.
Um Feliz Dia das Mães Vó!
Um Feliz Dia das Mães Dinda!
Um Feliz Dia das Mães Mamãe!
Esse é o meu presente para vocês!

Terça-feira, Abril 12, 2011

Tarot do Personare

Olhem a carta que saiu pra mim hj no Personare


Que tal se permitir ter mais prazer neste momento, Luciana? Há quanto tempo você não faz coisas de que gosta? Que tal relaxar e curtir mais a vida? O 3 de Copas surge aqui como arcano conselheiro, pedindo-lhe que permita abrir-se ao prazer, para que ele flua na direção do mundo e este lhe atenda, possibilitando situações felizes, festas, namoros (ainda que não necessariamente sérios), em suma, coisas que lhe distraiam e lhe permitam ter dias agradáveis, ao redor de quem você ama. Saia com os amigos, conheça novas pessoas, permita-se rir, conversar, conhecer os outros... estar no mundo! Você sentirá sua alma mais leve e perceberá as coisas a partir de uma perspectiva mais ampla.




Conselho: Deixe o prazer fluir!

Só quero saber: quem vai pagar minhas contas?!?!







Segunda-feira, Abril 11, 2011

Rioooooooooooooooo

ASSISTAM!!!!! ASSISTAM!!!!!

Visualmente lindo!!! Emocionante!!! Engraçadíssimo!!! Empolgante!!!
Já viram que eu adorei não é???

Corram!!!

Quinta-feira, Abril 07, 2011

E agora?

Tem estudos que afirmam que quando uma pessoa se suicida, familiares ficam mais suscetíveis a cometerem o mesmo ato. Porque? Questão genética? Não. Imagino que seja o se dar conta de que aquilo é real e que pode acontecer com você, dentro de sua família, não com o seu vizinho. A partir do momento em que um fato entra como realidade possível para qualquer um de nós faz parte de nossas experiências como possíveis.

Ao saber da tragédia da hoje no Rio de Janeiro, eu me entristeci e me preocupei muito. Até o dia de hoje, isso não existia na realidade brasileira. Só que agora existe. Aconteceu, infelizmente. E pode acontecer de novo. Porque agora, para os brasileiros, isso vai ser possível. Agora, a partir de hoje, ir à escola vai se tornar algo um pouco menos seguro do que estão acostumados. Isso me preocupa muito. Como evitar? Não sei. Imagino que tudo o que os especialistas estão falando podem ajudar, mas quando um ser humano resolve matar dessa forma, pouco se pode fazer para evitar. E ainda mais, infelizmente, no mundo do crime existem as imitações. Dar idéias sabe?

Como evitar ? Continuo não sabendo. Diminuir o acesso às armas? Sim. Deve. Mas não vamos ser ingênuos, deve ser muito fácil obter arma quando se tem um propósito. Campanhas e ações contra bullying? Sim. Óbvio que irá ajudar, óbvio que se evitar a violência sofrida desde tenra idade ajuda a formar um adulto com mais consciência e empatia a outro ser humano. Empatia sim, empatia é se colocar no lugar do outro, é se identificar com o outro. Uma pessoa que consegue desenvolver esse sentimento dificilmente irá fazer algo tão violento com outra pessoa. Colocar detector de metal nas escolas também? Sim. Mas acabo de escutar por um especialista em segurança que isso não segura um firme propósito. Se o rapaz de hoje fosse impedido de entrar na escola, ele cometeria os assassinatos na rua mesmo. Ele estava decidido. Como evitar? Infelizmente não tem receita, nem aqui, nem nos EUA, nem na Rússia, nem na China, nem em lugar algum. Porque isso fala de outra coisa. Fala da sociedade, mas fala de um conjunto de fatores, que somados, em um momento produz um assassino como esse de hoje.

Acontece também outro fator, como não acreditamos que isso pode acontecer conosco, não levamos tão a sério sinais de que alguém próximo pode estar no caminho para ser o autor de uma chacina como essa. A irmã falou que ele, desde o ano passado, falava que queria destruir aviões e que tinha sido submetido a um tratamento psicológico, mas que tinha abandonado. Não vou culpar a família até porque imagino que jamais eles pensariam que ele era capaz de um ato desses, não é por aí, mas é bom ficarmos mais atentos a sinais que escapam do ordinário. Ao contrário do que diz o lugar comum, cão que ladra morde sim. 99% das pessoas que se matam, falam antes que vão se matar... talvez a estatística possa ser comparada aos assassinatos. Esse jovem falou da sua vontade de matar. Será que se tivessem levado a sério, isso impediria algo? Não sei. Nós nunca vamos saber o real motivo, qual a sua patologia, nem o que poderia ter acontecido para evitar, o que poderia ter sido feito para evitar tudo isso. Não saberemos. Infelizmente aconteceu. 

Acho que vou ter que conviver com essa sensação de insegurança que me assola de vez em quando, exatamente quando me dou conta de que o mundo é impreciso e as pessoas, mais imprecisas ainda.