quarta-feira, setembro 24, 2008

Vôo

Hoje eu me concentro em contemplar paisagens que eu não vejo sempre.
O nascer do sol visto (ilusoriamente) quase ao lado dele é sulibme. Tem uma divindade que me faz reverenciar à natureza e à Deus.

04/06/2008 (no avião)

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Da janela do avião eu vejo as nuvens como se fossem montanhas de uma floresta densa e intacta.
Vejo a luz começando a mostrar sua força num multifacetado colorido.
A luz do avião apaga enquanto escrevo no escuro (sei, eu sei onde fica a luz acima) a floresta de nuvens e o sol se tornam mais nítidos, como um convite que sempre que tem de um lado a escuridão talvez seja para se poder ver mais nitidamente o outro lado.

04/06/2008 (no avião)
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O medo de morrer/controle e depois a liberdade (o medo da)
O quanto a liberdade pode estar associada a solidão.

04/06/2008 (no avião)

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Buracos nas nuvens

Vejo nas nuvens pastos tranqüilos
Canyons com suas profundezas fascinantes
e a vontade de cair no espaço
e ser uma só nele

04/06/2008 (no avião)
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Tam - ida vôo 8077 04/06/2008 04:50
volta vôo 8076 11/06/2008 08:25

segunda-feira, setembro 22, 2008

" QUE BOM É SER
QUALQUER COISA, ASSIM, AO LÉU,
UMA PLUMA DE VENDER,
UM PENSAMENTO, UM CHAPÉU,
ENFIM SER, TÃO-SOMENTE ISTO,
SER APENAS PELO MEIO,
SEM UM NOME, SEM UM MISTO
DE ANCORAGEM OU DE ENLEIO,
SER NADA (NÃO É POSSÍVEL)
SER TUDO (MAS É DEMAIS)
SER ENTÃO O INDEFINÍVEL
NEM TÃO POUCO, NEM DEMAIS"

(ARMINDO TREVISAN)

Murmúrio

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

(Murmúrio - Cecília Meireles)

segunda-feira, setembro 01, 2008




GESTALT-TERAPIA

A CLÍNICA DA NEUROSE
TEORIA E MANEJO



“...um homem rumando para a decepção e a dor não se envolverá seriamente com o ambiente.” (P.H.G. 1997)


LOCAL: CENTRO DE CAPACITAÇÃO EM GESTALT-TERAPIA - CCGT
(Av. Duque de Caxias, 1322, entre Enéas Pinheiro e Pirajá)

DATA: 18 DE OUTUBRO 2008.

PROGRAMA:

1- OCORRÊNCIA DA NEUROSE;
2- TEORIA DA NEUROSE: CONFIGURAÇÃO E MANUTENÇAO;
3- O MANEJO CLÍNICO DOS AJUSTAMENTOS EVITATIVOS.

INVESTIMENTO: R$ 90,00.(profissional) / R$ 60,00 (estudante)

INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES: CCGT: 3276-4448 / 9621-9029.

MINISTRANTE: ADELINO MONTEIRO
GESTALT TERAPEUTA.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Odes de Ricardo Reis

Segue o teu destino,

Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade

Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te.
A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente

Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, 1-7-1916

quinta-feira, agosto 14, 2008

"Não entendo as pessoas que mudam de religião.

Porque mudar de dúvidas?"

Mário (maravilhoso) Quintana


O mais interessante é que seguimos religiões criadas pelo homem em nome de Deus.

O mais importante é a fé. (Lu)


quarta-feira, julho 23, 2008

"(...) Mas entre as qualidades do dinheiro não está a elasticidade..." (p.18) - C. Lispector

"(...)'Não fazer nada' é uma das ocupações mais produtivas do homem." (p.20) - C. Lispector

"(...)Aqui está fazendo um calor que de tão pontual diariamente, já está ficando chato (...)" - (p. 22) C. Lispector

"(...) Eu vivo à espera de inspiração com uma avidez que não dá descanso. Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais desejo no mundo, mesmo mais que o amor." (p. 23) - C. Lispector

"(...) Eu quero uma vida - vida e é por isso que desejo fazer um bloco separado da literatura." (p.23) - C. Lispector

"(...) 'Escrevo porque encontro nisso um prazer que não sei traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..(...)" - (p.27) Em entrevista a Edgard Proença em nossa Terra (Belém) - C. Lispector

Citações das cartas trocadas entre Clarice e suas irmãs, publicadas no livro "Minhas queridas"

sexta-feira, maio 30, 2008

Citações do Amor II

"Em geral, o que dominava o texto era a sensação de que ele vivia num mundo que lhe parecia, quase sempre, mesquinho demais" (p.61)

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"Atendi movido mais a café do que a energia" (p.?)

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"O amor absoluto, sublime, radiante, derrota qualquer sombra, invade e penetra os cantos escuros da minha alma" (p.62)

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"(...) já não sei bem por que estou aqui. Na ação, o sentido se perde. O sentido se mantém mais facilmente nos sonhos". (p.71)

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' "Na verdade, é assim que eu sou", eu disse, "parecido com este horror barroco, complicado sem necessidade, pomposo, falsamente elegante e, sobretudo, atormentado. É um tipo de arquitetura que evoca mais Roma que Florença - A Roma papal barroca, a Roma da Contra-Reforma, feita de desejos inconfessáveis, repetidos compulsivamente, culpados e por isso mesmo praticados até a náusea. É a Roma dos bastidores de um poder que goza sem limites e com um falso pudor - que é a pior maneira de gozar". (p.76)

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"(...) Parar no tempo ou voltar atrás parecia ser seu jeito preferido de reagir à feiúra do mundo." (p.82)

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"(...) À primeira vista, o lugar não parece grande coisa, é despojado, simples, mas aos poucos ele vai transmitindo uma sensação de confiança no mundo, na possibilidade de ele obedecer a um sonho da razão em que funcionalidade e elegância coincidiriam sem esforço, com parcimônia de traços e elementos. Não é só isso: é o sonho de um mundo que não precisaria de explicação alguma, que se justificaria por si só, por sua beleza. (...)" (p.75)

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"(...) estar com você é como viver aqui. E sem as esculturas de Donatello, que Brunelleschi detestava. Quando estou com você tudo me parece claro e natural, simples e bonito. (...)" (p.75)

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"(...) a Renascença é a alegria de poder gostar dos homens a ponto de pintá-los. E, para pintá-los, era preciso colocá-los ao lado ou atrás de um santo ou coisa que o valha" (p.88)

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"(...) ...uma mulher que não precisa de um homem, que é feita para tocar sua própria vida, entende?" (p.100)

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" (...) 'Como um paraíso terrestre perdido'." (p.101)

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"Talvez ele estivesse sobretudo apaixonado por seu próprio estilo, que tentara praticar com as duas. (...)" (p.106)

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"Há uma geração, Pinin, que perdeu o entusiasmo de viver. Eles não conseguem encontrar nas esquinas do dia-a-dia o punhado de aventura que é necessário para colorir a vida. Pagam qualquer preço para se envolver numa história que lhes dê alusão de fazer parte da História." (p.107)

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"(...) A julgar pelo seu tom de voz, ele parecia cansado, mas longe de vencido." (p.115)




quinta-feira, maio 29, 2008

"Citações do Amor"

"(...) Afinal, para quem a gente diz que está livre?" (p.39)

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"(...) Estava vestida do mesmo jeito, uma espécie de uniforme da simplicidade" (p.34)

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"(...) A arquitetura de Michelozzo, como a de Brunelleschi, sempre me ajuda a acreditar que há uma razão no mundo". (p.34)

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"(...) O cão também, se me lembro direito, é sobretudo o animal que guarda a porta do além" (p.38)

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Trechos extraídos de O CONTO DO AMOR do Contardo Calligaris.

sexta-feira, maio 23, 2008

Você não pode voltar atrás no que vê.

Você pode se recusar a ver,

o tempo que quiser:

Até o fim de sua vida pode se recusar,

sem necessidade de rever seus mitos

ou movimentar-se de um lugar confortável.

Mas a partir do momento que você vê,

mesmo involuntariamente,

você está perdido. (...)

CAIO FERNANDO ABREU.

Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão;
outra parte é estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
-que é uma questão
de vida ou morte-
será arte?

(FERREIRA GULAR - traduzir-se)

quinta-feira, maio 22, 2008

"Entre ela e Eduardo o ar tinha gosto de sábado. E de súbito os dois eram raros, a raridade no ar. Eles se sentiam raros, não fazendo parte das mil pessoas que andavam pelas ruas. Os dois às vezes eram coniventes, tinham uma vida secreta porque ninguém os compreenderia. E mesmo porque os raros são perseguidos pelo povo que não tolera a insultante ofensa dos que se diferenciavam.Eles escondiam o amor deles para não ferir os olhos dos outros de inveja. Para não feri-los com uma centelha luminosa demais para olhos. "
CLARICE
(estes a Mari me mandou em 26 de março de 2005)

sexta-feira, maio 09, 2008

Será que o preço da consciência é o medo?

quarta-feira, maio 07, 2008

SÉRIE INSETOS

Anteontem estávamos todos em casa. Cada qual no seu quarto. Noite alta. Resolvo sair do quarto não lembro porque e dei de cara com ela. Uma barata enormeeeeee.. Daquelas que entram voando pelo apartamento (moro no primeiro andar)... Nunca mais tínhamos recebido esse tipo de visita...
Berrei!!! Foi meu primeiro ímpeto. Berrei pra Lola voltar pro quarto para não vê-la, fiquei com medo dela querer ir ter com a baratona. Berrei pra minha mãe para que ela me salvasse daquela visita imponente, que estava avançando a passos largos pelo corredor. E berrei inutilmente para meu irmão que, coitado, pegou esse medo de mim. Sim, ele pegou, porque medo é contagioso!
Minha mãe ficou frente a frente com ela, e eu gritava MATA!!! MATA!!! Olhava pra barata, pra Lola que voltou correndo para a minha cama e para a mamãe, neste momento a barata já estava na porta do quarto dela ao lado do meu. Entrei correndo no meu e fechei a porta, quando a minha mãe disse: como matar? Eu também estou com medo! Pensei: f....deu-se!!!! E disse: peraí!!! Usa a minha chinela havaianas (parece publicidade da novela das oito)... E minha mãe então sem pensar deu chineladas, várias e a barata começou a morrer e depois ficou lá... grudada no chão na frente do quarto da mamãe que neste momento estava ofegante deitada em sua cama me sentenciando que ela nunca mais vai matar uma barata porque ela estava passando mal...
ééé..com esta sentença tenho que começar a me preparar para matá-las!!!
E pra tirar a barata de lá? Pedi pra ela, lógico que não, pedi pro meu irmão ele disse que nem estava escutando o que eu estava falando, então só tinha eu e minhas outras "eus"...peguei um papel bem grosso e coloquei a dita em cima e fui quase correndo jogá-la na lata de lixo e fechar a casa toda pois outra poderia vir visitá-la... medo é irracional mesmo, cria até consciência!!
E então ontem fiquei sabendo que outro dia, em pleno dia, vejam só, dia!!!!! Uma barata estava subindo pelo lado de fora do prédio e pronta pra entrar no meu quarto...
Agora me digam: alguém sabe me dizer pra quê as baratas existem????

quinta-feira, abril 17, 2008

Sabedoria Popular

Outro dia estava assistindo ao Jornal na TV e estava passando uma reportagem sobre umas ondas gigantes em São Luiz (me desculpem se eu estiver errada pois não prestei atenção muito na reportagem em si e sim nas pessoas entrevistadas). E com uma mulher muito simples, o repórter perguntando sobre o medo que a população estava sentindo:
- E o coração como fica?
Ela responde:
- Menino! Não sai da boca porque a gente fecha a boca. Mas é a vontade do coração!

Adorei!

quarta-feira, abril 02, 2008

Do Filme Chegadas e Partidas

Às vezes, há uma história por trás da história.

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Enfrentamos nossos medos porque não podemos evitá-los.

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O que é um velório?
É uma despedida

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Há tantas coisas que desconheço.
Se um barbante com nó pode libertar o vento e se um afogado pode acordar então um homem ferido pode se curar.
Quando eu estava aprendendo a pintar, perguntei ao meu professor:



- E se eu errar e pingar tinta no papel o que eu faço? Tenho que refazer tudo?



- Não! Aproveita o pingo no papel e faz alguma coisa com ele. Aproveita o erro e cria algo com ele.



Pensando bem, assim deveria ser a vida...

terça-feira, março 18, 2008

(...) me causa muitas vezes letargia e uma expectativa irreal de que a vida se resolverá sozinha como num passe de mágica. Oscilo entre agarrar meus sonhos e desistir deles e pior ainda, nesta guerra, perco a minha realidade. Mas isso parece distante já. Parece que é ressaca pois me sinto mudando e empreendendo esta mudança.

Realidade: o choque inevitável....Desejos nem sempre são compatíveis com o real.
Às vezes precisamos exercitar o desapego para abrir espaço para coisas novas na nossa vida...

O desapego tem sido um grande exercício para mim... grande e frutífero...e leia-se desapego inclusive de processos mentais, pensamentos, emoções e etc...

A tal da Impermanência

Não tem como ser somente uma máxima teórica mesmo...esta é a prática da vida... as vezes alentadora e as vezes desesperadora, a máxima da impermanência!!!!