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quinta-feira, julho 22, 2010

Para Marcele, minha prima amada!


Tênis x Frescobol
Rubem Alves

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’ Leia + http://www.rubemalves.com.br/tenisfrescobol.htm

quinta-feira, junho 24, 2010

Banquete do Amor


"Há uma história sobre os deuses gregos. Eles estavam entediados, então inventaram o ser humano. Mas continuaram entediados, então inventaram o amor. Assim, não se entediariam mais. Então decidiram experimentar o amor. E, finalmente... inventaram o riso... para que conseguissem suportá-lo."

"Às vezes você só sabe que foi longe demais quando está lá. E, é claro, já é tarde demais."

"Você acha que o amor é um truque da natureza para fazermos mais bebês? Ou acha que o amor é tudo e é o único sentido que existe para esse sonho louco (que é a vida)?"

(Do filme Banquete do Amor)

quinta-feira, novembro 29, 2007

(...) Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar (...) leia +
http://www.releituras.com/jsaramago_conto.asp

José Saramago

terça-feira, novembro 13, 2007



E foi naquela epoca...

A poesia chegou me procurando.

Eu nao sei, nao sei de onde ela veio,

se de um inverno ou de um rio.

Eu nao sei como nem quando.

Nao, nao eram vozes,

nao eram palavras, nem silêncio;

mas de uma rua eu fui chamado abruptamente

dos ramos da noite, dos outros,

no meio de um tiroteio violento,

e num retorno solitario la estava eu

sem um rosto... e ela me tocou.


Pablo Neruda

terça-feira, setembro 18, 2007

"Fantástico: o mundo por um instante é exatamente o que meu coração pede..."

Clarice!

sexta-feira, junho 29, 2007

"...ceder a alma? afinal quem quer ceder a alma?.."
Clarice Lispector (Кларісе Ліспектор)
Dor
"Nada existe de mais difícil de que entregar-se ao Instante. Esta dificuldade é dor humana. É nossa." Clarice Lispector

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

“...ao escolher palavras com que narrar minha angústia,
eu já respiro melhor,
a uns Deus quer doentes,
a outros quer escrevendo

Adélia Prado

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."


Momento Carpi II

"Há pouco tempo, Vicente, de 4 anos, falava errado o nome de sua irmã, Mariana, 13 anos. Dizia "Maliana".
Uma manhã acordou ansioso:
- Preciso ligar para minha mana.
Perguntei o que tinha acontecido:
- Aprendi a falar Mariana, MA-RI-A-NA. Ela tem que saber. Eu chamava a pessoa errada, agora vou chamar a certa. "
Carpinejar

Momento Carpi

"...Antecipa o fim porque não está disposto a recomeçar..."
Carpinejar

"... o amor tem a mania da sincronia. Pune quem se antecipa ou chega atrasado."
Carpinejar

"...Dependência não se discute, arruma-se qualquer desculpa para mantê-la..."
Carpinejar

"...Esperar é também uma forma de caminhar..."
Carpinejar

"...Infelizmente os homens e as mulheres são predadores nos relacionamentos, mais preocupados em abater a ave do que voar com ela. Não se abrem para não se machucar. Vive-se uma sociedade com medo da dor, com casais encerrando histórias de modo prematuro para não sofrer. E não há como se comover sem a contrapartida da ferida. Magoar-se é decorrência da sinceridade, da vulnerabilidade, da entrega."
Carpinejar
"Um verso de Rimbaud sempre me ilumina quando estou indeciso entre falar a verdade ou me censurar para o melhor momento: "por polidez, perdi minha vida". "
Carpinejar

quarta-feira, novembro 08, 2006

"...Estranha relação é a que temos com as palavras. Aprendemos de pequenos umas quantas, ao longo da existência vamos recolhendo outras que vêm até nós pela instrução, pela conversação, pelo trato com os livros, e, no entanto, em comparação, são pouquíssimas aquelas sobre cujas significações, acepções e sentidos não teríamos nenhumas dúvidas se algum dia nos perguntássemos seriamente se as temos. Assim afirmamos e negamos, assim convencemos e somos convencidos, deduzimos e concluímos, discorrendo impávidos à superfície de conceitos sobre os quais só temos ideias muito vagas e, apesar da falsa segurança que em geral aparentamos enquanto tacteamos o caminho no meio da cerração verbal, melhor ou pior lá nos vamos entendendo, e às vezes, nos encontrando..."
(José Saramago)
"Não há quem não feche os olhos ao comer, não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita, não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar. Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras. Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo. O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória. Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível. Viver é boiar, recordar é nadar. Escrevo na água, no vento da água. O passado sem os olhos fechados é como uma roupa enrugada. Sem corpo. Sem as folhas dos plátanos."
Carpinejar
"Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis para um rapaz. Com efeito, uma jovem tem ilusões, muita inexperiência, e o sexo é bastante cúmplice do amor, ao passo que uma mulher conhece toda a extensão dos sacrifícios que tem a fazer. Lá onde uma é arrastada pela curiosidade, por seduções estranhas à do amor, a outra obedece a um sentimento consciente. Uma cede, a outra escolhe."

Balzac
Amadureci a covardia em sarcasmo.
Posso rir do sofrimento.
Mistérios existem para simular profundidade.
Sou rasa, fútil. Não reverencio a primavera,
a mais sádica das estações.
Desde a infância, ela floresce minha asma.

Posso adiar a morte, nunca o nascimento.
É impossível cortar a semente.

Carpineja
"te procuro
nas coisas boas
em nenhuma
te encontro inteiro
em cada uma
te inauguro"

Alice Ruiz

terça-feira, setembro 19, 2006

"Quando você está na minha frente e me olha, o que pode saber das dores que estão em mim, e o que sei das suas? E, se eu me jogasse na sua frente, e chorasse, e falasse, o que você saberia de mim, mais do que sabe do inferno, quando alguém lhe diz que ele é quente e terrível? Só por causa disso, nós, humanos, deveríamos nos colocar uns diante dos outros com tanto respeito, tanta reflexão [...], como diante da entrada do inferno.
Franz Kafka

quarta-feira, agosto 30, 2006

CHUVA DE CLARICE

ANTES ERA PERFEITO
Ter nascido me estragou a saúde.

O IMPULSO
Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. Há um perigo: se reflito demais, deixo de agir. E muitas vezes prova-se prova-se depois que eu deveria ter agido. Estou num impasse. Quero melhorar e não sei como. Sob o impacto de um impulso, já fiz bem a algumas pessoas. E, às vezes, ter sido impulsiva me machuca muito. E mais: nem sempre meus impulsos são de boa origem. Vêm, por exemplo, da cólera. Essa cólera às vezes deveria ser desprezada; outras, como me disse uma amiga a meu respeito, são cólera sagrada. Às vezes minha bondade é fraqueza, às vezes ela é benéica a alguém ou a mim mesma. Às vezes restringir o impulso me anula e me deprime; às vezes restringi-lo dá-me uma sensação de força interna.
Que farei então? Deverei continuar a acertar e errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.


(FRAGMENTOS DE) BRAIN STORM
A loucura é vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente.

A criatividade é desencadeada por um germe e eu não tenho hoje esse germe mas tenho incipiente a loucura que em si mesma é criação válida.

Nada mais tenho a ver com a validez das coisas. Estou liberta ou perdida.

Vou-lhes contar um segredo: a vida é mortal.

Mas se não compreendo o que escrevo a culpa não é minha. Tenho que falar pois falar salva.

As palavras já ditas me amordaçaram a boca.

Se desse a loucura de franqueza, que diriam as pessoas às outras?

A pior cegueira é a os que não sabem que estão cegos. Abro bem os olhos, e não adianta: apenas vejo.

e não viver com música é trair a condição que é cercada de música.

Só posso escrever se estiver livre, e livre de censura, senão sucumbo.

Tudo o que nunca se fez, far-se-á um dia?

O futuro da tecnologia ameaça destruir tudo o que é humano no homem, mas a tecnologia não atinge a loucura: e nela então o humano do homem se refugia.

Entender o difícil não é vantagem, mas amar o que é fácil de amar é uma grande subida na escala humana.

Não há lógica, se se for pensar um pouco, na ilogicidade perfeitamente equilibrada da natureza. Da natureza humana também.



domingo, julho 30, 2006

"Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."
(Clarice Lispector)