terça-feira, junho 08, 2010
Jemma: - Não. Mas ainda estamos aqui. Isso é alguma coisa.
(às vezes me sinto assim...)
(esse diálogo foi extraído do filme O Psicólogo)
sexta-feira, maio 28, 2010
Amores à uma mãe (im)perfeita - Parte I
Convivemos por muitos anos sob o mesmo teto, 36 anos (mais precisamente), há um ano e meio eu resolvi ter meu próprio teto e ela, mesmo sentindo minha ausência, me apoiou de diversas formas, uma delas inclusive foi se mudando para um apartamento ainda menor e que, caso minha aventura não desse certo, tava na cara que eu não tinha como voltar pra casa dela a não ser que ficássemos nos batendo o tempo todo naquele minúsculo espaço. Mas isso não foi dito, isso foi sentido por mim, ela não disse nada, nem sei se pensou nisso, na realidade, impulsiva do jeito que era, se apaixonou por aquele apartamento (que eu nunca gostei e que eu não cabia) e teimou. Teimou. Teimou. E se mudou pra lá. Ela era teimosa.... Muito teimosa... E espivitada também.
Então, quando eu era mais nova fui começando a ver e entrever seus vários defeitos que me faziam ressentir da imagem e desejo de ter uma mãe perfeita. Eu ia convivendo com mães de amigas minhas e ao longo da adolescência fui extraindo o que elas me mostravam de melhor e quando me deparava com a minha mãe, exigia que ela tivesse todas essas qualidades como se eu desejasse que, mesmo sendo única, ela fosse múltipla, sábia, centrada, uma super mulher, enfim, buscava nela a segurança que ainda não tinha, o guia para minhas escolhas que ainda não me sabia responsável, com um movimento típico de culpá-la por tudo que não funcionava... Exigi dela por muito tempo que ela fosse quem ela não era.
Ela escutava, as vezes brigava, ficava de mal... se defendia, as vezes não. Eu era a cobradora... demorou um tempo, mas finalmente eu cresci e pude ver que eu não podia querer que ela vivesse por mim, que ela se responsabilizasse por mim, e pude enfim, enxergar a sua humanidade e seus defeitos. E então tive que viver o primeiro luto que era abandonar as minhas expectativas sobre a sua perfeição e ficar com tudo aquilo que ela me dava que era genuinamente dela. Tanto as coisas boas como as coisas ruins.
Mas tem uma coisa que eu agradeço publicamente por ela ter me dado: ela ter se permitido se mostrar com suas imperfeições... isso mesmo, o que eu mais combatia foi a maior herança que ela me deixou. Ela me possibilitou ver a humanidade nela, em mim e em todos os outros que eu me relaciono. Já pensou se ela fosse perfeita? Imagina o quanto eu teria a ilusão de que eu teria que ser perfeita também? Já pensou o quanto eu cobraria a perfeição dos outros? Ufa! Ainda bem ela me livrou disso... Ainda bem.... mesmo com sofrimento consegui respeitá-la em suas imperfeições, perfeitas para o meu crescimento.
E, olhando pra ela, com suas dores, suas lutas, seu sorriso, pude achar em mim a mulher que me tornei como fruto dela e de meu pai. O que eu trouxe de cada um, o que eu não quero de cada um deles...
O último email dela pra mim foi uma declaração de amor de mãe e uma despedida deste mundo. Era meu aniversário, ela morreria 3 dias depois...
sexta-feira, março 05, 2010
Ayla
Quando criança, Ayla, que não entendia nada do mundo e nem seus pais, pois o mundo estava apenas começando e viviam mais como animais do que como conceituamos humanos hoje, não sabia de nada. Ayla apenas vivia. E um dia, a terra se abriu e engoliu seus pais. Ela presenciou aquilo e não entendeu nada. Apenas lhe veio o terror e a tristeza de não ter mais os pais por perto, de se perceber sozinha e de que o mundo poderia ser tão inseguro, mas tão inseguro, sem solidez, que o chão poderia se abrir a qualquer momento e sugá-la também. Assim começa a sua saga. Na pré-história isso aconteceu. Antes da história.
Na história isso ainda acontece com Ayla. Ela sente que seu chão abriu há muito tempo e que ela se segura em uma corda. E sente que está cansada, que muita coisa já foi para o buraco, inclusive o tempo. Mas ela se segura pois é a única coisa que ela conhece e sabe fazer desse mundo que ainda não é mundo para ela.
"Quantas vezes, (...), usamos espelho apenas como retrovisor para reter histórias alheias?
Nossas caras, tão deformadas, tão retocadas, tão disfarçadas, onde estão?
Onde as escondemos que não aparecem no espelho?
Sem a verdade que liberta, jamais estaremos livres de nós mesmos".
sexta-feira, fevereiro 19, 2010
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
domingo, fevereiro 07, 2010
Domingo
Minha cabeça dizia: sim!!! Meu corpo não levantava da cama...Controle remoto do meu lado (pra quê??? Pra quê???) e de repente, click! Comecei a assistir um filme dos muitos que um amigo meu gravou pra mim...Fiquei lá: vou ver só meia hora de filme, depois eu paro, me levanto e vou me divertir.... passaram meia hora... e eu: mais meia hora só pra eu ver o que vai acontecer agora.... depois eu me levanto e saio pra vida.... e assim foi....durante as meias horas, telefonemas, convite, e eu dando corda em todo mundo e não me movia, só meus olhos vendo o filme...acabei envolvida no roteiro e fui dando furo. Um a um... me ligavam e eu dizia: aaahhhh! Vou ter que almoçar com a minha mãe....só vou as 4 da tarde....ah!!! não dá pra ti???? Poxa, que pena, então furou!!!! E fiquei lá... enrolando... Mas eu quero ir pular carnaval ainda... juro que quero!!! Já são 4 da tarde e assim que eu terminar aqui e em outros sites que estou, vou por lá... Voltando agora: culminou minha paralisia quando a Lola, sorrateiramente, encostou na minha coxa e ficou lá dormindo, toda cúmplice da minha preguiça. Preguiça com cúmplice é a melhor coisa que existe. fiquei lá. Mas... o filme acabou. E então, minhas desculpas até para mim, acabaram. Fui lavar louça. A casa está toda bagunçada, impressionante...como pode uma mulher e uma cadela bagunçarem tanto em dois dias??? Vou fazendo faxina por partes... planejei tudo: lavar louça agora, tomo banho, me arrumo, vou almoçar na casa da mamãe, vou para o carnaval (que era as 4 da tarde), volto pra casa, lavo a cozinha, tomo outro banho, arrumo o quarto, deito um pouco pra ver o fantástico, no intervalo, arrumo a sala, volto pro fantástico (argh) e no outro intervalo arrumo a cozinha, pronto! O ases da faxina!!!! Tenho um amigo que mora só e me diz que nos dias que a faxineira não vai, ele só anda do quarto pra cozinha e vice-versa pra não sujar a casa.... mas voltando: lavei a louça, fui tomar banho, e fui pra casa da mamãe, até aí estou cumprindo todos os passos.... A surpresa veio quando eu saí de casa, ainda meio preguiçosa, me arrumei, coloquei a coleira na lola, peguei a chave do carro, olhei se o gás estava desligado e desci. E minha surpresa foi no caminho. No caminho fiquei observando o mundo: me espanta a disposição das pessoas em pleno domingo. Era uma festinha de carnaval com 6 pessoas na casa vizinha, todo mundo fantasiado; era um casal estranho andando no meio da rua; um homem lavando na calçada uma daquelas máquinas que colocam frangos para assar; era um homem fazendo churrasco na calçada, enquanto outro preparava a carne, há 3 casas, uma família inteira em torno de uma mesa na calçada, almoçando, sob a sombra de uma barraca de praia, isso tudo uma hora da tarde do calor de Belém.... será que eu que sou estranha???
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
segunda-feira, novembro 23, 2009
quinta-feira, outubro 22, 2009
Meu desejo era de parar o mundo para eu poder parar junto.
terça-feira, setembro 29, 2009
"O que devemos ter como principal objeto de conhecimento é o nosso eu, acompanhando-lhe os movimentos, auscultando-lhe os motivos profundos, descobrindo as artimanhas com que disfarça suas intenções, conhecendo-lhes os anseios misteriosos, numa ininterrupta auto-análise, numa incansável pesuisa acerca de quem eu sou."Professor Hermógenes em Auto Perfeição com Hatha Yoga
sexta-feira, maio 22, 2009
Otimismo 2009

Recebi hoje um email da Coca-Cola falando da semana o Otimismo 2009!!!! Entrei no site e me encantei!!!!
Transcrevendo:
O que é a Semana Otimismo que Transforma?
A Coca-Cola Brasil está na terceira edição da Semana Otimismo que Transforma. Durante os dias 17 a 23 de maio, cada embalagem vendida de qualquer produto do portfólio da Coca-Cola Brasil, como refrigerantes, sucos, águas, chás, energéticos e hidrotônicos, reverterá dois centavos e meio para os programas desenvolvidos pelo Instituto Coca-Cola Brasil.
A campanha reafirma o compromisso da Companhia com o meio ambiente e a responsabilidade social.
O sucesso da campanha depende do seu envolvimento. Participe!
ENTRE TAMBÉM NO SITE DO INSTITUTO
http://www.institutococacola.org.br
Estou apaixonada!
quinta-feira, maio 21, 2009
terça-feira, maio 12, 2009
quinta-feira, abril 16, 2009
Acho então que vivemos numa monarquia disfarçada de democracia. Uma pena. Um buraco sem fundo!
Medo
“A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar- se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.”
quarta-feira, março 25, 2009
A dor é um processo natural. O sofrimento seu resultado. Faz parte da vida.
quinta-feira, dezembro 18, 2008

Fernando Pessoa escreveu:
“Que a morte me desmembre em outro, e eu fique”
Nada mais certo pensar na morte da Dinda dessa forma. Ela se foi, mas foi desmembrada já em vida pelas sementes de amor que plantava diariamente. E eu não estou exagerando. Era diária a sua ajuda as pessoas. Preocupava-se com todos, gostava de saber como estavam todos. Amava sem medidas. Sem reservas. E seu amor era expresso no mais profundo e mundano cuidado. Desde muito cedo na minha casa chegavam desde frutas até o presente mais caro nas datas festivas.
Ela era assim, o mundo era pequeno pra ela.
Nunca se ausentou da vida. Mesmo com dores ou se sentindo mal ela fazia questão de participar dos mínimos detalhes. Nas manhãs de domingo quando preparava o café da manhã para os seus filhos, nos presentes que queria dar, nas minhas camisolas que chegavam em casa de surpresa. A última que aprontou comigo foram uns pratos que chegaram de surpresa na minha casa porque eu não tinha ainda tempo de comprá-los e ela escutou isso numa conversa com a mamãe.
Dinda foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. Estou sentindo muito a sua falta. Ir lhe visitar e ficar escutando: Menina, emagrece!!!! E depois de meia hora ficar me entupindo de comida porque achou que eu tinha comido pouco no almoço.
Nunca vou esquecer que o café da manhã de cada aniversário meu era dedicado à ela. E acabou virando uma tradição para mim. Sentirei sua falta Dinda.
Para tudo ela tinha uma opinião, um jeito de resolver e era uma sábia. Seus conselhos e sua forma de ditá-los, mesmo nos fazendo rir, até hoje são lembrados por todos os que conviveram com ela.
Infelizmente a morte faz parte da vida, mas têm pessoas que tem o dom de se tornarem imortais pelas sementes que plantaram. Dinda semeou amor, caridade, solidariedade, atenção e justiça por onde passou e com quem conviveu e tocou.
Uma mulher que Deus me deu a benção de me aceitar como sua afilhada e que cumpriu sua missão como poucas.
E hoje sou tomada de um sentimento de profunda reverência e GRATIDÃO à Deus por Ter me permitido participar de sua existência. E GRATIDÃO à ela que me amou e me fez sentir amada de um jeito muito especial. E certamente não é a toa que seu nome significa CONSAGRADA À DEUS!
Obrigada Dinda! Eu te amo!

