segunda-feira, julho 19, 2010

...

Estava tentando estacionar quando a vi. Alta, morena, pele e osso de tão magra. No meio da rua, que era a casa dela, ela estava com as duas mãos em forma de concha no nariz, segurando um pano. E dançava...dançava sorrindo... Seus olhos estavam orbitados em um outro lugar. Eu que estava trancada em um silêncio patrocinado pelo ar condicionado do carro, pensei: nossa... como ela está hoje...totalmente tomada pela cola. Sensibilizada fiquei por aquela garota, dançando alegremente no meio da rua, sem tirar as duas mãos em forma de concha no nariz. Olhei para os lados e vi que todos a olhavam rindo de sua proeza. Não sei o motivo do riso, não sei se escárnio, não sei se compaixão, não sei...só os donos do sorriso é que poderiam dizer, mas eu não conseguia sorrir...Ela estava lá, gritando sua presença denunciadora em minha mente. Denunciando a desumanidade, denunciando o desamor, denunciando o descaso, denunciando a alegria fulgaz de uma cheirada logo ao amanhecer ou quem sabe denunciando um necessário processo de alienação de si mesma? Lembro que pensei que ela estaria ficando pior com o tempo, pois estava dançando no meio da rua, num dia chuvoso, sozinha... Foi então que passei por ela, desviando o carro e consegui estacionar, e quando saí do meu carro-aquário, precebi: um táxi estava ressoando seu som recém adquirido em uma promoção e ela dançava guiada por aquele som... pelo ritmo...percebi, com alívio, que ela não estava tão mal assim, estava apenas tentando mesmo se divertir.

(também de longas datas...)

Encontro

Cidade grande. Grandes avenidas.  Grandes prédios. Grandes calçadas. Grandes distâncias. Ela acordara como sempre: militarmente às sete. Levantou da cama sem saber nem quem era, seu corpo somente despertava quando a água gelada batia em seu corpo. Olhava no relógio: Nossa! Dormi demais! Sempre era assim... todos os dias... Se arrumava automaticamente e deixava a maquiagem para os intervalos. Pronto! Pronta! E saiu para a rua já impregnada pelo som e fumaça dos carros e pela estonteante avalanche de pessoas indo e vindo.
Ele acordara como sempre, atrasado e de ressaca. Como posso ter bebido tanto? Hoje eu páro de beber! Não adianta me ligarem, não atenderei as ligações, não aceitarei convites e me trancarei dentro de casa e pronto! Assim não bebo. Resolução tomada, foi ao chuveiro. A água gelada lhe deu um ligeiro tremor, como um choque gostoso, despertou seu corpo. Rápido se vestiu e saiu quase correndo. E então começou a caminhar. Foi quando a avistou, saindo de um prédio como se tivesse tonta pela mudança de luz e tom. Ela ainda apertava os olhos para se acostumar com a luz, ou talvez ainda quisesse fechá-los com sono. E foi então que ele viu ainda mais de perto, ela era linda, perfeita! Ele saia todas as noites  lhe buscando e ironicamente fora lhe encontrar de dia. Um dia perfeito. Enfeitiçado caminhou até a sua direção.
Ela fechando os olhos para se acostumar com a claridade repentina. Virou a cabeça e o viu. Bonito, olhando-a com uma expressão que a assustou. Não saiu correndo porque teve medo de ser chamada de histérica. Mas também não podia mais tirar os olhos dele. Se encontraram finalmente. Frente a frente. Olhos nos olhos. E... quando iam abrindo a boca para se falarem, foi então que a sirene descuidada de um carro de polícia os despertou. Eles despertaram. Ele olhou acima da cabeça dela. Ela olhou os sapatos dele. Ficaram naquela dança coincidente quando um tenta desviar do outro. Sorriram e disseram ao mesmo tempo: licença. E conseguiram: cada um seguiu seu caminho, ela estava atrasada e ele com uma baita ressaca.

* mais um escrito de mto tempo.

Anjo


Ela era a imagem de um anjo. Fabricada em uma tarde num salão. Cabelo liso para cabelos cacheados, de castanho para o loiro dourado. A boca, antes pintada só de vermelho, agora só admitia um rosa bem claro. As unhas, antes como garras sangrentas, agora eram cortadas e com esmalte quase sem cor. Ela tinha tido um sonho. Um sonho inquietante. Mas que a fez descobrir o sentido de sua vida. No sonho ela era um anjo, um anjo lindo que tinha grandes asas azuis e macias. Ela pensou: é um aviso. Um aviso dos céus, tal como o anjo Gabriel com Maria. Então eu sou um anjo. Vou ser um anjo. E partiu para sua transformação. E voltou a cumprir sua missão. Sempre que terminava seus afazeres, procurava conversar com aqueles que estavam usufruindo de sua companhia. E tal qual os anjos, perdoava-os em quaisquer de seus pecados. Eles saiam do encontro com ela renovados, ela era uma santa, venerada. Corria de boca em boca a fama da santinha. E todos queriam ter com ela. Fui testemnha de um encontro. Uma tarde, ela estava no batente de sua casa na Riachuelo quando um homem que vendia milho saudou-a:
- Boa tarde anjinho!
- Boa tarde! Ai..ai...queria tanto um milho seu...
Ele sorriu um sorriso incompleto, fruto de suas andanças pela vida e respondeu:
- Ora anjinho, é pra já!
- Não, não...eu não tenho dinheiro...

Ele então lançou um olhar de cima a baixo, não precisava ser santo como ela. Olhou-a e viu um corpo roliço, jovem e gostoso.
- Você pode me pagar de outro jeito, santinha.
Ela, percebendo o olhar lascivo, olhou para o milho com a mesma intensidade, fome é sempre fome, não importa do quê. Sua boca entreaberta, cheia de saliva e desejo, percorreu sua língua pelos lábios rosa-bebê e suspirou, dizendo:
- Tudo bem.
Ele, apressando as preliminares, preparou com esmero aquele milho da salvação de sua alma.
Ao entregar o milho pra ela, ela disse:
- Me dê um milho maior, do mesmo tamanho do que você guarda dentro das calças.
Nada mais justo, pensou ela.
Então, ele deu sua medida, a medida de um macho. E quando, ao olhar a cara dela de espanto, ganhou o dia, o mês, a vida, pois sempre tinha sido motivo de escárnio por todas as mulheres que tinham passado por seu caminho. Aquela mulher na sua frente, tal qual um anjo anunciador, afortunou sua vida.
Então, ela recebeu o maior milho que ele tinha... com os olhos de desejo, deu um sorriso que, de longe, me pareceu tão infantil, que consegui ver a criança que ainda era.

* escrito também há muitos anos em homenagem a um filme.

Preto e Branco

Ela olhava pela janela e não via nada. A dor já havia há muito turvado seus olhos, o que via sempre era como uma cortina preta. Se sentia carcomida por dentro, como se vermes invisíveis tivessem atacado de soslaio e antes que ela percebesse já haviam-na destruída. O que restava era um monte de órgãos, envolvidos por ossos e peles. Era assim que se sentia, cada movimento pesava toneladas, cada pensamento lhe custava esforços inimagináveis. Deixou de lutar há muito contra aquilo. Há muito se entregara aos vermes, há muito deixaram que eles a conduzissem e agora passava seus dias e noites na janela, diante do lençol preto da vida. De repente pensou: há quantos andares estou? Só pensou, pois não tinha forças nem para levantar as pernas e atravessar o umbral que a separava de uma provável liberdade. Uma liberdade de não existir mais. Mas já não existia também. Pensou nas pessoas que a rodeavam, tinham se tornado bonecos mecânicos, marionetes do mundo, não consguia vê-las. Ela sabia que já as amara, mas não conseguia sentir mais nada. Nada. Poderia dar aula a qualquer filósofo sobre o nada. Ela era o nada. A janela dava o sentido de sua existência. Ela vivia para a janela. A janela era seu muro onde continha sua loucura. Um muro com grades e grilhões que lanhavam sua carne. Penetravam que nem agulhas. Nem sentia nada. O sangue começava a brotar gelado escorrendo em sua pele, e se deu conta que seu sangue era preto. Não deveria ser vermelho? O que pode ainda ser vermelho nessa vida cheia de naúsea? A chuva então começa a cair, ela vem toda tarde como uma velha amiga que visita o túmulo da amiga morta. A amiga chuva a saudava. Fazia por ela o que há muito ela não conseguia mais: chorava.

- também foi escrito há muitos anos. Uma breve tentativa de descrever a depressão severa.

Finalmente livre.

Ela estava livre. Finalmente. Andava pela rua sem rumo certo e não tinha mais alguém em seu encalço. Ele finalmente a deixara, tinha se aquietado, um silêncio que começava a intrigar e incomodar. Mas ela estava livre. Finalmente. Deliciosamente livre, andava pela rua e não tinha hora para chegar em lugar algum. Depois de anos submetida ao seu jugo, ao desprezo, a dependência descarada, ele finalmente sumira. Sumira assim como tinha aparecido. Um sumiço que começava a indagar. Mas ela estava livre. Finalmente. Caminhava. Olhava para os lados e nenhum rosto conhecido, sorria e não era correspondida, mas o que importa? Ela estava livre. Muito livre. Ele finalmente desviara seu foco, não existia mais. Ela fugiu desesperada e ele a libertou sorrindo. Ela estava livre, agora presa. Presa a si própria, olhava para o lado e só via a si mesma. Mas ela estava livre. Finalmente. Deliciosamente livre. Amargamente livre. Ao se deparar com o primeiro orelhão, disfarçado de arara, não se conteve:
- Oi... posso voltar?

(escrevi isso há uns anos atrás, infelizmente não coloquei a data no papel, então me perdi no tempo... tem outros escritos que vou colocar aqui)

Deus me proteja da Unimed

Cheguei na Unimed por volta de 11:30, passando mal, vi que os recepcionistas levaram várias fichas colocando nos escaninhos dos consultórios médicos. Primeiro eu vejo uma médica Barbie com um salto 15 num scarpin azul turquesa andando de um lado para o outro, mas atendendo a todos. Fora a minha ironia de que ela jamais conseguiria correr para atender alguém numa emergência com aquele salto todo, já que mal ela conseguia andar, eu comecei a desejar que ela fosse a minha médica quando eu vi outra médica, depois de meia hora, entrar no recinto e se dirigir a uma sala em que uma ficha já estava aguardando também há meia hora. A médica tinha um andar vagaroso, largado, cansado, andar de quem está de saco cheio da vida, quando eu vi o rosto e o cabelo saganhado* saquei que aquela médica estava, ainda, dormindo. E que estava com muita raiva de ter que cumprir sua tarefa. Lei de Murphy é Lei de Murphy e eu tenho atração a ela, quem esta dita saganhada chama? Euzinha. Quase eu me arrasto até a sala, imaginei eu loucamente gritando: Ela não!!! Ela não!!!! Mas mantive a classe e adentrei em seu ambiente pseudo estéril da posse do seu saber médico que iria me examinar. E descobri que ela era a médica psicanalista ortodoxa. Explico: os psicanalistas ortodoxos não falam com seus pacientes ou só o estritamente necessário. Entrei, tive que ir fechar a porta, pois ela já tinha sentado em sua cadeira (vejam: a sala é dela), e sentei à sua frente. Nem esperei um bom dia (não estava sendo mesmo), mas cheguei a esperar um: - o que você está sentindo? O que te traz aqui p....? O que aconteceu pra me acordares???? Algo pelo menos assim. Não... Eu me sentei, olhei pra ela, ela me olhou semi-acordada e pasmem: - (levantou a sobrancelha direita e depois franziu a testa). Com isso resolvi ser a paciente ideal e comecei a falar meus sintomas, ela foi anotando, anotando, sem me olhar, de repente ela pega um daqueles pauzinhos de picolé, chega perto e tenta enfiar na minha garganta. Óbvio que não conseguiu, nenhum médico consegue isso comigo pois tenho o reflexo de vomitar (e isso desde criança) todas as vezes que tentam ver a minha garganta com aquilo. Falei pra ela que eu tinha esse reflexo, ela deu um meio sorriso e disse: - não tem problema. Hã? Então, ela sentou e anotou, me digam: se não era necessário então pra quê?? Depois veio me auscultar (uma das minhas queixas era dor no pulmão). Disse que iria levantar a minha blusa e ficou lá, auscultando em vários lugares. Voltou pra mesa e anotou, anotou. Olhou pra minha cara e finalmente falou: - olha, não deu pra ver tua garganta e nem deu pra te auscultar direito, tive dificuldades, vou te passar um raio-x do tórax, e quando estiver pronto, você traz aqui pra eu ver. E pasmem novamente: sorriu.... Fiquei chocada... Enfim, fui tirar o raio-x e o técnico foi sensacional. Super bem atendida que até cheguei a pensar: - estou com sorte.

Voltei à sala e fui até a enfermagem, expliquei que a Dra. tinha me pedido para mostrar o raio-x, o enfermeiro pediu para ficar com ele, foi o meu erro. Depois de uns 15 minutos, ela aparece de novo no recinto, do mesmo jeito, mesmo andar, mesmo olhar, o cabelo oleoso e saganhado e puxa um papel e chama outra paciente. Quando sai, passa por mim, vai ao posto de enfermagem e some. Some! 15 minutos depois, eu, no posto de enfermagem: - vocês poderiam chamar a Dra? Ela pediu pra eu mostrar pra ela o raio-x que está ali ó! Resposta: ah tá!!! – Vocês não podem colocar no escaninho dela? - Não, ela não gosta que façam isso. – Mas então ou vocês deveriam falar pra ela ou ela teria que vir perguntar né? – ééé....Sentei e esperei novamente ...e muito...quando eu vejo uma médica que não era nem a Barbie e nem a psicanalista chegando e entrando na sala da minha médica, quase que eu impeço a passagem até que ela chama a primeira paciente. Realmente a Unimed é um show: essa era a médica radialista de vestibular, era idêntica a forma que ela chamava os nomes dos pacientes, só faltou a musiquinha e os parabéns. Ela também era muito rápida, enquanto eu me recuperava do choque (onde está então a minha médica?) ela já tinha atendido 05 pessoas e foi na sala de outro médico e pegou até uma ficha de paciente dele. Aí tenho uma fofoca, o outro médico chegou logo depois e disse: - você pegou a minha ficha que estava aqui? Ela disse: - eu atendi, eles misturam tudo (ela estava dizendo que os recepcionistas tinham misturado a ficha dele na dela e então ela atendeu), quero saber se eles ganham por produção. Depois disso, ela foi à enfermagem e rolou uma discussão de quantos ela tinha atendido e ela ainda passou um tempão lá provando isso para os enfermeiros. Um show à parte até que lembrei que já bastava, eu queria ser atendida e já sabia até então que o plantão tinha trocado e que a médica psicanalista tinha dado no pé sem informar o final da sessão. Fui lá e perguntei novamente aos enfermeiros: - é... ela já foi... – poxa, eu estou esperando há um tempão, falei pra vocês chamarem por ela e agora? Quem vai me atender? – ahhhh...aguarde... está aqui seu exame...pasmem, minha ficha era a última. – Eu estou por último??? Como assim??? Eu já entreguei isso aqui há um tempão!!! – é... hehe...não...não... está aqui. Desisti, me sentei e resolvi apelar pra Deus: - É, tenho que confiar em Deus, se ele me fez esperar assim é porque devo ser bem melhor atendida agora. Vamos ter fé e paciência, aprendizado. E esperei. Tive sorte, veio o médico que foi roubado na ficha pela radialista vestibulanda. E então ele olha meu raio-x e diz: - você está com uma secreção no pulmão.

- Sim, mas o que quer dizer isso?


- Olha, pode ser da garganta ou pode ser do pulmão mesmo.

- (hã???).

- Mas eu vou te passar um antibiótico

- Vai tirar a secreção?

- Vai. Você tem pressão alta?

- Às vezes quando fico muito tensa.

- Ah tá tudo bem, porque estou pensando em fazer um dispropan injetável, pode ser?

- (quem estudou medicina aqui???) – ok, pode passar.


- é injetável, pode ser?


- hã hã

- Também estou pensando em fazer um aerossol, pode ser?

- hã hã

- Então pronto. Na terça você volta aqui para pegar o seu raio-x e procure logo um pneumologista para fazer um acompanhamento, ok?

- ok

E lá fui eu tomar injeção nas nádegas (isso mesmo, voltei à infância) e fiz 15 minutos de aerossol, dei tchauzinho quando passei no posto de enfermagem e me benzi logo depois: - Que Deus me proteja da Unimed!





(* saganhada significa despenteada no interior do Maranhão.)


quarta-feira, junho 30, 2010

Elas sabem o que dizem...eu que não sei o que faço...

Chego na casa da Beta, quem é a primeira pessoa que eu vejo?


Isso mesmo, ele, lindão, gostosão... tudo ão do Julio César. O que me lembra que cada vez que ele aparecia, umas meninas que estavam vendo o jogo no ap ao lado do da Beta, gritavam LINDOOOOOO!!! LINDOOOOOO!!!! Elas sabem o que dizem...eu que não sei o que faço...
Enfim, jogo começa (Brasil x Chile) e meu desespero também, pois a seleção quase não pegou na bola nos primeiros minutos, fui ficando preocupada e virando comentarista...quando, depois de um tempão, o contador na tv mostra que o Brasil só estava com 45% de posse de bola e o Chile com 55% e o Galvão teve a coragem de dizer o seguinte: nossa, eu tomo cada susto nessa copa... o quê??? Que jogo ele estava assistindo??? Ele não sabe o que diz...eu sei o que eu faço...
Lembram quando eu disse que a nossa transmissão era 5 segundos atrasada? Eu pensei que era em relação a África, mas não...percebo no primeiro gol que é em relação ao apartamento do lado mesmo. Explico: nós transmistimos o nosso jogo com um projetor e acaba gerando essa diferença, então resultado: a cidade toda comemora 5 segundos antes da gente...o que de certa forma me transformou na Mãe Diná do jogo. Logo no primeiro gol percebi que as meninas do ap ao lado berraram antes da gente e vi que depois apareceu o gol. Perdi a graça por 5 segundos o jogo inteiro, qualquer jogada arriscada, eu já sabia, pela reação das meninas do lado, se tinha dado certo ou não... de certa forma é como me contarem o final do filme... brochante... ainda bem que elas berraram 3 vezes, sendo seguidas, cinco segundos depois, de berros, pulos, buzinaços nossos... Elas sabem o que berram e nós sabemos o que buzinamos...
Gente, lembram da mandiga standard??? Acreditam que eu acabei pulando umas 30 vezes no segundo gol??? Então, estou com crédito..eu acho... vamos fazer as contas? O Brasil já fez 8 gols x 3 = 24, estou no lucro!!! E Luana sabe o que inventa...só eu sei o que eu pulo...
A minha mandiga é das antigas, tanto que descobri que a Marisanta e a Betânia fazem a mesma: fazer figa todas as vezes que o time adversário faz uma jogada arriscada. E assim fizemos o jogo todo. Mesmo com 3 gols, insaciável, queríamos mais... comíamos mais...Até que, após o terceiro gol a Eliane começou a torcer contra pra ganhar o bolão de 3 a 1 que ela tinha apostado, quando eu tive a idéia de perguntar pra ela quanto ela iria ganhar (dependendo do valor eu até torceria por ela), ela veio me dizer que ganharia 1,40... pode???? Ela sabe o que torce...eu, realmente, não sei o que eu penso.
(devidamente resolvido pela Luana, que foi até a sua bolsa e deu 2,00 pra ela, vejam só, com juros, pra ela parar de agourar o Brasil...)
Ficamos brincando também de traduzir o que eles falavam em campo. Por exemplo: o técnico do Chile apontava para a língua, no que eu brilhantemente traduzi que ele berrava: LAMBE!!! LAMBE!!! (sabe-se lá o quê...). Um outro lance perfeito de tradução minha e da Beta foi quando um jogador bateu no peito duas vezes dizendo: EU SOU MACHO! MUITO MACHO!!! (apesar de não entender muito a necessidade dele de dizer isso). Mas enfim, eles sabem o que gritam, eu não sei o que eu ouço...
Agora, eu fico sempre muito feliz com a vitória da seleção mas dói no coração ver os marmanjos do outro time chorando, fico morrendo de pena deles, até que me lembram quanto eles ganham e o que eles fazem. Eles então sabem porque choram...eu, às vezes, não sei...


segunda-feira, junho 28, 2010

VAI, VAI, VAI...NÃO, NÃO, NÃO...

Então, hoje, clientes desmarcados no consultório e apreensão pelo jogo Brasil e Chile que vai ser hj a tarde. Mas isso ainda é futuro. Vou falar do passado...
Na sexta, jogo do Brasil x Portugal. Jogo, jogo, jogo...não! Na realidade o jogo ficou tão desinteressante que os diálogos é que acabaram dignos de nota.
Mas antes das revelações das conversas que rolaram, esse jogo teve um gostinho especial pois teve a presença ilustre da minha irmã linda, do meu gostoso cunhadão e da minha sobrinha ochi, ochi... Nos reunimos em família na casa do Tadeu e da Rosana e os rituais começaram. Pintamos os rostos de verde e amarelo, procuramos nossos lugares e voilá!
Aiiiii, uma das mandingas inventadas pela Luana é a de dar 3 pulinhos a cada gol. Até aí tudo bem, a cada gol eu dava 3 pulinhos, até que eu vi as meninas pulando 21 vezes no jogo anterior. Como assim????? Vocês estão erradas: são 3!!!! Não Lu, são 3 a cada gol e vai somando... nós já estamos pulando a mais: 21!!! Não é preciso dizer que fiquei no modelo standard da mandinga, dou 3 pulinhos a cada gol e só! Neste nem precisei pular... que pena...
Papos que rolaram:
L - esse Dunga tem um jeito meio estranho...
R - Acho que ele é gay...
L - éééé...pode ser...ele é gaúcho né???
R - E de Pelotas... com certeza é gay...
L - Não sei. Mas o Maradona tenho certeza que é...
R - Vichi!!!!
(mas vocês viram como o Dunga reagiu ao cartão amarelo???)

(corta o papo por uma jogada, uns berros de vai, vai, vai... não, não, não)

L - Égua, esses jogadores são lindos....menino...
R - (não me lembro o que ele disse, mas chegou num assunto de que eles tem psicóloga que cuidam deles)
L - Menino eu vou até começar a pesquisar como é a área de psicologia do esporte, de repente eu animo!!!
R - Eu te dou a maior força, ganha muito dinheiro...Eu conheço uma pessoa do paissandu...
L - Égua, mas paissandu não dá, eu sou Remo....
R - Mas aí, vc vai trabalhar no paissandu e já começa a abalar psicologicamente os jogadores...

vai, vai, vai...não, não, não...

Raulzinho - VALEU JABU!!!!!! (quando portugal chutou perigosamente para o gol e a Jabu desviou e foi pra fora)

vai, vai, vai...não, não, não...

Raulzinho me explica que tem 5 segundos de diferença na transmissão dos jogos, ou seja, o que vemos aqui, já aconteceu 5 segundos atrás lá... vocês imaginam o quanto fiquei neurótica com essa informação, me perguntando se os brasileiros estavam 5 segundos mais tristes ou mais felizes???

vai, vai, vai...não, não, não...

B - Menina, os jogadores da Itália são tão lindos que eles não jogam, eles desfilam!!!
(comentário sem resposta por obviedade de assunto)

vai, vai, vai...não, não, não...

B - Sabia que o Casagrande estava internado numa clínica de recuperação química?
R - Era mesmo?
L - Sim... Eu lembro...no meu quarto eu não tenho ainda cortinas e coloco jornal na janela e me lembro que tinha essa notícia estampada, todo dia eu lia: Casagrande internado em clínica de reabilitação química (ou algo semelhante).. pior que todas as vezes que eu lia eu lamentava por ele.

vai, vai, vai...não, não, não...

(ao darem um close no Cristiano Ronaldo)

L - esse Cristiano se maqueia, está usando lápis...
R - Também acho...
B - hummm.....

vai, vai, vai...não, não, não...

Vcs perceberam que o jogo foi uma m.... pela quantidade e qualidade dos papos né? Vai fazer o que? Não tínhamos o que fazer mesmo.... Agora show a parte foi aquele juíz que estava que nem um tresloucado distribuindo cartões...só pode gostar da cor...

vai, vai, vai...não, não,não...

quinta-feira, junho 24, 2010

Banquete do Amor


"Há uma história sobre os deuses gregos. Eles estavam entediados, então inventaram o ser humano. Mas continuaram entediados, então inventaram o amor. Assim, não se entediariam mais. Então decidiram experimentar o amor. E, finalmente... inventaram o riso... para que conseguissem suportá-lo."

"Às vezes você só sabe que foi longe demais quando está lá. E, é claro, já é tarde demais."

"Você acha que o amor é um truque da natureza para fazermos mais bebês? Ou acha que o amor é tudo e é o único sentido que existe para esse sonho louco (que é a vida)?"

(Do filme Banquete do Amor)

segunda-feira, junho 21, 2010

CALA A BOCA MARIDILZA!!!!!!!!

Ontem foi aniversário da Tia Heron. Uma festa linda, toda organizada pela Marisanta, um almoço (festa junina) e com direito a ficarmos para assistir o jogo projetado na parede. Eu estava particularmente ansiosa, sempre fico antes do jogo, mas ficar ansiosa dia de domingo é terrível. Eu preferia que os jogos fossem dia de semana ou até mesmo no sábado, domingo realmente é um dia chatíssimo para tanta emoção.
Enfim, toda arrumada com a minha roupa de Brasil para uma festa junina verde e amarela, fui comprar o presente. Resolvi dar uma boneca pra minha tia que fazia 70 anos. É uma boneca russa, tem um significado e também dei um bonequinho que salta de uma caixinha com uma plaquinha: me amarro na sua forma de ser, o que arrancou lágrimas da minha tia, da minha prima e lógico que minhas também, a Patricia  se segurou menina, acreditem vocês!!!!
A festa foi maravilhosa, com direito a outro momento de chôro quando a tia Heron pediu pra Maridilza ler um discurso de agradecimento pros meninos (filhos da Dinda) e em especial pra Dinda que, segundo a tia, encomendou a festa junto à São Pedro lá no céu. Isso se ela  e a mamãe, sassariqueiras do jeito que são, não estavam por lá, todas "empompadas"!!!
Enfim, desde as duas e meia eu comecei a olhar no relógio já em total clima de jogo e medo... Sim, tive medo quando vi o tamanho dos jogadores da CDM, e até falei inocentemente para a Pat: "nossa, imensos!!!! Olha o tamanho desses homens", ela retrucou: "tu já queres né???". Eu fiquei chocada: não entendi! Não sei o que fez ela me dizer isso, eu tão santa, tão comportada e assim.... bem, deixa pra lá... mas não posso deixar de negar que alguns me fizeram olhar mais para aquelas camisas coladas do que para a bola mesmo... Mas... foco Luciana, foco!!!!!
Minha prima Maridilza resolveu virar de uma só vez: torcedora, técnica, jogadora, incentivadora, preparadora técnica, comentarista...e recebeu um tremendo CALA A BOCA MARIDILZA todas as vezes que se pronunciava, até o final do jogo! O Galvão já tem com quem concorrer!
Falando do jogo: um absurdo aquele juíz, um absurdo aqueles mara...opa...trogloditas em cima dos nossos jogadores, um absurdo o gol deles... estou com raiva do juíz até hoje. Mas descobri que Kaká é muito humano e nada santo... Achei até másculo o que ele fez, uiii!!!! Gostei!
Quanto ao nome da bola em 2014 vou com a seguinte opinião de um cara que eu sigo no twitter: "A bola de 2014 pode se chamar "itaquaquecetuba". Só pra fuder com os estrangeiros" (http://twitter.com/o_colecionador)

quinta-feira, junho 17, 2010

Saldo do primeiro jogo (Brasil x arghhhh Coréia do Norte)

03  unhas roídas
02 kg a mais (comendo de nervosismo)
05 palavrões gritados
1578 palavrões mentais
01 P.Q.P. bem alto na hora do gol da coréia
06 pulos (a cada gol tínhamos que dar 3 pulinhos, uma mandinga que uma prima inventou, na dúvida....)
356 suspiros por coxas...
03 discussões a respeito da roupa do Dunga (para o desespero dos homens presentes)
323 vezes gritando vai, vai, vai!!! ou não, não não!!!!
574 figas entre os dedos (mandinga própria)
05 nomes de jogadores decorados (Elano, Maicon, Robino, Julio César, Luis Fabiano) o resto esqueci.

Mas eu não me conformo, não me conformo com o gol da Coréia. Me deixou triste. Acabou o jogo e nem me empolguei pra ir festejar, parecia que não tínhamos ganho jogo algum. Fico dizendo que pra começar é assim, eles ainda não estão tão azeitados juntos e etc...
mas não me conformo.

terça-feira, junho 15, 2010

FELIZ COPA!!!

Eu não gosto muito de futebol, mal sei os campeonatos que existem e sempre me confundo com a importância deles. Só sei que tem jogo na minha cidade quando, aos domingos, saio de casa e vejo as bandeiras na rua.

Sei que é gol quando as pessoas berram... se bem que podem berrar de raiva também...

Mas Copa do Mundo é uma coisa muito diferente... De repente em menos de um mês eu sei todas as regras do jogo, conheço os nomes de todos os jogadores do Brasil, sei sobre a política da CBF e da FIFA e onde eles estão falhando, sei sobre a história das copas e principalmente os nomes também dos jogadores e técnicos antigos.

Fico emocionada, grito, berro, xingo, me pego com os santos, faço figa, mandinga, rezo, rogo praga, enfim, fico ensandecida e completamente envolvida. Horas antes do jogo já não consigo ficar muito bem concentrada (como agora). Enfim, parece que está no ar a emoção da expectativa e o medo do que nem passa pela minha cabeça, pois é simplesmente inadimissível o Brasil perder um jogo logo na primeira fase.

(neste momento paro com a linha de raciocínio e começa uma discussão se inadmissível é com d mudo ou com o i que escrevi acima, um amigo meu diz: - coloca como tu quiseres...), no google, existem as duas formas de escrita, agora estou no dicionário on line: e graças, vejo que é com d mudo. Enfim, escrevi errado acima, então, como uma boa burocrata - onde se lê: inadimissível, leia-se inadmissível...)

Voltando, estou começando a ficar super ansiosa com o jogo. Na Copa do Mundo passada, no último jogo do Brasil, quando eu percebi que não tinha mais jeito, eu nem consegui mais ver o jogo, fiquei na janela da casa de minha amiga, pasmem: chorando.... rsss... hoje fico rindo, mas realmente me transformo.

Tudo bem que amo ver as coxas daqueles jogadores, e tem uns, que dá vontade de mandar a câmera congelar e ficar neles... rola tantos suspiros entre as mulheres que fica constrangedor. 

Mas ontem fiquei imaginando se eu fosse o Dunga... (ainda bem que eu não sou...muito enrugadinho...). E me imaginei no alto de um banco de vestiário e todos aqueles jogadores ao redor ávidos pelas minhas palavras e sabedoria e eu dizendo: gente, não pensem no final, não pensem na Copa do Mundo, pensem apenas que é um jogo cada. Cada jogo é um jogo, apenas isso. E vencendo de jogo em jogo chegamos lá. Mas não vão ainda lá. Fiquem aqui. Foco aqui. Amanhã é Coréia, só essa partida existe. E ao mesmo tempo, pensem que é a bolada de sábado. Um jogo. Apenas um. Um de cada vez. Foco..Se concentrem... e por aí foi a minha divagação... Fiquei pensando se seria uma boa técnica...mas óbvio que isso é derivado da Copa do Mundo... um evento que distribui loucura por aí...

E pra completar, o clima está tão no ar, que um primo meu me contou que desejaram pra ele "Feliz Copa" e ele: - éguaaaaa! Parece Natal já!?! É Bruno, é o Natal do futebol.

Então, hoje, primeiro jogo do Brasil (com a misteriosa Coréia do Norte), desejo à todos: FELIZ COPA!!!!!!!!!

quarta-feira, junho 09, 2010

Amores à uma mãe (im)perfeita II

Tinha algo que me incomodava, mas só vim descobrir lá pelos meados da vida adulta... eu não podia chorar perto da mamãe. Todas as vezes que eu chorava ela fazia uma cara de tanta pena e de tanto sofrimento, que eu acabava achando que o sofrimento dela estava sendo maior do que o meu em me ver chorando, e parava, engolia o chôro. E depois comecei a evitar chorar na frente dela. E quando eu sofria me afastava de casa, chorava na casa de amigas e voltava já "bem" para casa.

Chorei pouquíssimas vezes na frente dela... principalmente depois de ter me tornado "dona do meu nariz"... e sempre falei nas minhas terapias que a mamãe não tinha como me dar suporte se eu sofresse, pois ela sofria mais do que eu...e assim acreditei por muito tempo...e assim me poupei por muito tempo também...

Até que chegou um momento que foi muito difícil, eu já namorava o T. há cinco anos e ele estava desempregado. Eu, apaixonada, com planos de casar, ficar com ele e ele recebe uma proposta do meu cunhado para trabalhar na filial da empresa dele em Macapá. Recebe o convite e aceita. E a viagem aconteceria até no máximo 15 dias após.

Quando ele veio me contar eu desabei... não tinha como demovê-lo da idéia. E eu, egoistamente tentei mesmo... fiz de tudo... e com uma semana entrei numa crise que eu só chorava o dia todo, tinha começado um estágio, eu larguei, tirei uma licença do trabalho e só chorava o dia inteiro. Fiquei mal mesmo, e para a minha grande surpresa, mamãe deu conta. Não só deu conta de me ver sofrer, como também me deu um suporte que eu nunca tinha imaginado que ela era capaz de dar.

E a partir de então eu soube, soube que poderia contar com ela para o resto de nossas vidas...

Quanto ao namorado, eu chorei, sofri, fiquei muito mal, e algo muito estranho aconteceu, ao lidar com o inevitável, no dia seguinte que ele embarcou, eu estava bem. Lutando por um novo estágio, trabalhando e sem derramar uma lágrima. Eu sou assim: o inevitável me dá resignação e acabo me conformando. Depois de 3 meses ele voltou... não sei o que significou pra ele essa viagem...para mim, a iminência da falta dele na minha vida, me deu um presente... o suporte da minha mãe...

terça-feira, junho 08, 2010

Dor

"A palavra é Dor... porque dor não se deixa. Dor é coisa que se leva. Estar dentro da dor é deixar-se levar para depois da dor, é pular o muro e ver a dor do outro lado. Mas dor não se esconde, porque ela aparece..."

"... Para  não andar distraído em cada tristeza como se não fosse nada...."

"Quem tem medo da dor tem medo do dia e da noite. Tem medo das formigas...."

(extraído do filme brasileiro A Festa da Menina Morta)
Henry: - não vai passar nunca, não é?

Jemma: - Não. Mas ainda estamos aqui. Isso é alguma coisa.

(às vezes me sinto assim...)

(esse diálogo foi extraído do filme O Psicólogo)
"Sou o senhor do meu destino...sou o capitão da minha alma".
(Mandela no filme Invictus)

sexta-feira, maio 28, 2010

Amores à uma mãe (im)perfeita - Parte I

Minha mãe não era perfeita... e que bom que ela não era assim...mas até eu chegar a esse pensamento eu penei um bocado tentando mudá-la de acordo com o que eu achava que deveria ser a minha mãe perfeita.

Convivemos por muitos anos sob o mesmo teto, 36 anos (mais precisamente), há um ano e meio eu resolvi ter meu próprio teto e ela, mesmo sentindo minha ausência, me apoiou de diversas formas, uma delas inclusive foi se mudando para um apartamento ainda menor e que, caso minha aventura não desse certo, tava na cara que eu não tinha como voltar pra casa dela a não ser que ficássemos nos batendo o tempo todo naquele minúsculo espaço. Mas isso não foi dito, isso foi sentido por mim, ela não disse nada, nem sei se pensou nisso, na realidade, impulsiva do jeito que era, se apaixonou por aquele apartamento (que eu nunca gostei e que eu não cabia) e teimou. Teimou. Teimou. E se mudou pra lá. Ela era teimosa.... Muito teimosa... E espivitada também.

Então, quando eu era mais nova fui começando a ver e entrever seus vários defeitos que me faziam ressentir da imagem e desejo de ter uma mãe perfeita. Eu ia convivendo com mães de amigas minhas e ao longo da adolescência fui extraindo o que elas me mostravam de melhor e quando me deparava com a minha mãe, exigia que ela tivesse todas essas qualidades como se eu desejasse que, mesmo sendo única, ela fosse múltipla, sábia, centrada, uma super mulher, enfim, buscava nela a segurança que ainda não tinha, o guia para minhas escolhas que ainda não me sabia responsável, com um movimento típico de culpá-la por tudo que não funcionava... Exigi dela por muito tempo que ela fosse quem ela não era.

Ela escutava, as vezes brigava, ficava de mal... se defendia, as vezes não. Eu era a cobradora... demorou um tempo, mas finalmente eu cresci e pude ver que eu não podia querer que ela vivesse por mim, que ela se responsabilizasse por mim, e pude enfim, enxergar a sua humanidade e seus defeitos. E então tive que viver o primeiro luto que era abandonar as minhas expectativas sobre a sua perfeição e ficar com tudo aquilo que ela me dava que era genuinamente dela. Tanto as coisas boas como as coisas ruins.

Mas tem uma coisa que eu agradeço publicamente por ela ter me dado: ela ter se permitido se mostrar com suas imperfeições... isso mesmo, o que eu mais combatia foi a maior herança que ela me deixou. Ela me possibilitou ver a humanidade nela, em mim e em todos os outros que eu me relaciono. Já pensou se ela fosse perfeita? Imagina o quanto eu teria a ilusão de que eu teria que ser perfeita também? Já pensou o quanto eu cobraria a perfeição dos outros? Ufa! Ainda bem ela me livrou disso... Ainda bem.... mesmo com sofrimento consegui respeitá-la em suas imperfeições, perfeitas para o meu crescimento.

E, olhando pra ela, com suas dores, suas lutas, seu sorriso, pude achar em mim a mulher que me tornei como fruto dela e de meu pai. O que eu trouxe de cada um, o que eu não quero de cada um deles...

O último email dela pra mim foi uma declaração de amor de mãe e uma despedida deste mundo. Era meu aniversário, ela morreria 3 dias depois...

sexta-feira, março 05, 2010

Ayla



Quando criança, Ayla, que não entendia nada do mundo e nem seus pais, pois o mundo estava apenas começando e viviam mais como animais do que como conceituamos humanos hoje, não sabia de nada. Ayla apenas vivia. E um dia, a terra se abriu e engoliu seus pais. Ela presenciou aquilo e não entendeu nada. Apenas lhe veio o terror e a tristeza de não ter mais os pais por perto, de se perceber sozinha e de que o mundo poderia ser tão inseguro, mas tão inseguro, sem solidez, que o chão poderia se abrir a qualquer momento e sugá-la também. Assim começa a sua saga. Na pré-história isso aconteceu. Antes da história.
Na história isso ainda acontece com Ayla. Ela sente que seu chão abriu há muito tempo e que ela se segura em uma corda. E sente que está cansada, que muita coisa já foi para o buraco, inclusive o tempo. Mas ela se segura pois é a única coisa que ela conhece e sabe fazer desse mundo que ainda não é mundo para ela.

"Quantas vezes, (...), usamos espelho apenas como retrovisor para reter histórias alheias?
Nossas caras, tão deformadas, tão retocadas, tão disfarçadas, onde estão?

Onde as escondemos que não aparecem no espelho?
Sem a verdade que liberta, jamais estaremos livres de nós mesmos".

Delis Ortiz (jornalista)

sexta-feira, fevereiro 19, 2010




FODA-SE!!!!


(arf! Agora me sinto melhor....)

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Tem dias que eu acordo e peço pra Deus me proteger de mim mesma

domingo, fevereiro 07, 2010

Domingo

Hoje é domingo, acordei com vontade de sair para pular carnaval, pura ilusão.
Minha cabeça dizia: sim!!! Meu corpo não levantava da cama...Controle remoto do meu lado (pra quê??? Pra quê???) e de repente, click! Comecei a assistir um filme dos muitos que um amigo meu gravou pra mim...Fiquei lá: vou ver só meia hora de filme, depois eu paro, me levanto e vou me divertir.... passaram meia hora... e eu: mais meia hora só pra eu ver o que vai acontecer agora.... depois eu me levanto e saio pra vida.... e assim foi....durante as meias horas, telefonemas, convite, e eu dando corda em todo mundo e não me movia, só meus olhos vendo o filme...acabei envolvida no roteiro e fui dando furo. Um a um... me ligavam e eu dizia: aaahhhh! Vou ter que almoçar com a minha mãe....só vou as 4 da tarde....ah!!! não dá pra ti???? Poxa, que pena, então furou!!!! E fiquei lá... enrolando... Mas eu quero ir pular carnaval ainda... juro que quero!!! Já são 4 da tarde e assim que eu terminar aqui e em outros sites que estou, vou por lá... Voltando agora: culminou minha paralisia quando a Lola, sorrateiramente, encostou na minha coxa e ficou lá dormindo, toda cúmplice da minha preguiça. Preguiça com cúmplice é a melhor coisa que existe. fiquei lá. Mas... o filme acabou. E então, minhas desculpas até para mim, acabaram. Fui lavar louça. A casa está toda bagunçada, impressionante...como pode uma mulher e uma cadela bagunçarem tanto em dois dias??? Vou fazendo faxina por partes... planejei tudo: lavar louça agora, tomo banho, me arrumo, vou almoçar na casa da mamãe, vou para o carnaval (que era as 4 da tarde), volto pra casa, lavo a cozinha, tomo outro banho, arrumo o quarto, deito um pouco pra ver o fantástico, no intervalo, arrumo a sala, volto pro fantástico (argh) e no outro intervalo arrumo a cozinha, pronto! O ases da faxina!!!! Tenho um amigo que mora só e me diz que nos dias que a faxineira não vai, ele só anda do quarto pra cozinha e vice-versa pra não sujar a casa.... mas voltando: lavei a louça, fui tomar banho, e fui pra casa da mamãe, até aí estou cumprindo todos os passos.... A surpresa veio quando eu saí de casa, ainda meio preguiçosa, me arrumei, coloquei a coleira na lola, peguei a chave do carro, olhei se o gás estava desligado e desci. E minha surpresa foi no caminho. No caminho fiquei observando o mundo: me espanta a disposição das pessoas em pleno domingo. Era uma festinha de carnaval com 6 pessoas na casa vizinha, todo mundo fantasiado; era um casal estranho andando no meio da rua; um homem lavando na calçada uma daquelas máquinas que colocam frangos para assar; era um homem fazendo churrasco na calçada, enquanto outro preparava a carne, há 3 casas, uma família inteira em torno de uma mesa na calçada, almoçando, sob a sombra de uma barraca de praia, isso tudo uma hora da tarde do calor de Belém.... será que eu que sou estranha???

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Nada nasce antes que se acabe!

(será que é do Tom Jobim?)
A minha repressão é o desejo do outro.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Fonte desconhecida


ilusão é felicidade

quinta-feira, outubro 22, 2009

Hoje me deu gana de faxina. Me deu uma vontade absurda de arrumar toda a casa, olhar papel por papel, rasgar alguns e arquivar outros. Cavucar minhas gavetas, fuçar. Depois pensei que preciso fazer isso com a minha cabeça. Há uns dias venho sentindo essa necessidade. Abrir cada gaveta da minha mente, vasculhar, olhar para o que está lá, ver o que ainda serve e manter; jogar, rasgar o que não me serve mais. Minha cabeça está muito cheia. Deve ser por isso que parece está em outra velocidade, diferente do meu desejo, do meu corpo e até mesmo do que eu posso integrar, pensar, apreender e etc etc etc....

Meu desejo era de parar o mundo para eu poder parar junto.

terça-feira, setembro 29, 2009

"O que devemos ter como principal objeto de conhecimento é o nosso eu, acompanhando-lhe os movimentos, auscultando-lhe os motivos profundos, descobrindo as artimanhas com que disfarça suas intenções, conhecendo-lhes os anseios misteriosos, numa ininterrupta auto-análise, numa incansável pesuisa acerca de quem eu sou."

Professor Hermógenes em Auto Perfeição com Hatha Yoga

sexta-feira, maio 22, 2009

Otimismo 2009


Recebi hoje um email da Coca-Cola falando da semana o Otimismo 2009!!!! Entrei no site e me encantei!!!!
Transcrevendo:

O que é a Semana Otimismo que Transforma?

A Coca-Cola Brasil está na terceira edição da Semana Otimismo que Transforma. Durante os dias 17 a 23 de maio, cada embalagem vendida de qualquer produto do portfólio da Coca-Cola Brasil, como refrigerantes, sucos, águas, chás, energéticos e hidrotônicos, reverterá dois centavos e meio para os programas desenvolvidos pelo Instituto Coca-Cola Brasil.

A campanha reafirma o compromisso da Companhia com o meio ambiente e a responsabilidade social.

O sucesso da campanha depende do seu envolvimento. Participe!


ENTRE TAMBÉM NO SITE DO INSTITUTO
http://www.institutococacola.org.br

Estou apaixonada!

quinta-feira, maio 21, 2009

(da série Eu odeio)


EU ODEIO
BARATA!!!!!!!!

terça-feira, maio 12, 2009

"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto der viver qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. (...) é somente até certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias."

.CLARICE LISPECTOR.

quinta-feira, abril 16, 2009

Andei assistindo uma séria chamada The Tudors (acho que é esse o título) que retrata o reinado na Inglaterra de Henrique VIII (acho que é esse..rsss...a minha memória é ótima). Mas o que me impressionou é que ao ler uma matéria na Revista Veja sobre os gastos no Senado, as regalias dos servidores e as relações institucionais, foi ter encontrado muitas características das relações de poder, regalias, gastos e com o povo que a série mostra...
Acho então que vivemos numa monarquia disfarçada de democracia. Uma pena. Um buraco sem fundo!

Medo

“A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar- se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.”

Marina Colasanti do livro Eu sei, mas não devia.

quarta-feira, março 25, 2009

Tenho percebido que as pessoas não estão suportando mais as dores emocionais, o sofrimento de outras pessoas, principalmente as mais próximas. Parece que o luto ou qualquer outro tipo de dor emocional tem prazo de validade para ser vivido e a partir dali a pessoa tem que "levantar a cabeça e seguir em frente" ou "reagir, não pode se entregar". E com isso, cresce o número de pessoas que só está buscando uma autorização suportiva e acolhedora para que possa sofrer o tempo suficiente para ressignificar suas dores e poder, com isso, autenticamente e efetivamente, "virar a página" e seguir adiante. Ou cresce o número de pessoas que "engolem o chôro", engolem suas dores e sofrem muito mais, inclusive desenvolvendo cada vez mais transtornos.

A dor é um processo natural. O sofrimento seu resultado. Faz parte da vida.

quinta-feira, dezembro 18, 2008


Elisabeth Paiva Baraúna
*21/01/1930 +12/12/2008

Fernando Pessoa escreveu:

“Que a morte me desmembre em outro, e eu fique”

Nada mais certo pensar na morte da Dinda dessa forma. Ela se foi, mas foi desmembrada já em vida pelas sementes de amor que plantava diariamente. E eu não estou exagerando. Era diária a sua ajuda as pessoas. Preocupava-se com todos, gostava de saber como estavam todos. Amava sem medidas. Sem reservas. E seu amor era expresso no mais profundo e mundano cuidado. Desde muito cedo na minha casa chegavam desde frutas até o presente mais caro nas datas festivas.

Ela era assim, o mundo era pequeno pra ela.

Nunca se ausentou da vida. Mesmo com dores ou se sentindo mal ela fazia questão de participar dos mínimos detalhes. Nas manhãs de domingo quando preparava o café da manhã para os seus filhos, nos presentes que queria dar, nas minhas camisolas que chegavam em casa de surpresa. A última que aprontou comigo foram uns pratos que chegaram de surpresa na minha casa porque eu não tinha ainda tempo de comprá-los e ela escutou isso numa conversa com a mamãe.

Dinda foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. Estou sentindo muito a sua falta. Ir lhe visitar e ficar escutando: Menina, emagrece!!!! E depois de meia hora ficar me entupindo de comida porque achou que eu tinha comido pouco no almoço.

Nunca vou esquecer que o café da manhã de cada aniversário meu era dedicado à ela. E acabou virando uma tradição para mim. Sentirei sua falta Dinda.

Para tudo ela tinha uma opinião, um jeito de resolver e era uma sábia. Seus conselhos e sua forma de ditá-los, mesmo nos fazendo rir, até hoje são lembrados por todos os que conviveram com ela.

Infelizmente a morte faz parte da vida, mas têm pessoas que tem o dom de se tornarem imortais pelas sementes que plantaram. Dinda semeou amor, caridade, solidariedade, atenção e justiça por onde passou e com quem conviveu e tocou.

Uma mulher que Deus me deu a benção de me aceitar como sua afilhada e que cumpriu sua missão como poucas.

E hoje sou tomada de um sentimento de profunda reverência e GRATIDÃO à Deus por Ter me permitido participar de sua existência. E GRATIDÃO à ela que me amou e me fez sentir amada de um jeito muito especial. E certamente não é a toa que seu nome significa CONSAGRADA À DEUS!

Obrigada Dinda! Eu te amo!

terça-feira, outubro 21, 2008

Jung acreditava que na vida cada indivíduo tem como tarefa uma realização pessoal, o que torna uma pessoa inteira e sólida. Essa tarefa é o alcance da harmonia entre o consciente e o inconsciente.

quinta-feira, outubro 16, 2008

O QUE VOCÊ FARIA SE PUDESSE MODIFICAR A REALIDADE?

sexta-feira, outubro 10, 2008

COMER REZAR AMAR

"Se você tem a coragem de deixar para trás tudo que lhe é familiar e confortável (pode ser qualquer coisa, desde a sua casa aos seus antigos ressentimentos) e embarcar numa jornada em busca da verdade (para dentro ou para fora), e se você tem mesmo a vontade de considerar tudo que acontece nessa jornada como uma pista, e se você aceitar cada um que encontre no caminho como professor, e se estiver preparada, acima de tudo, para encarar (e perdoar) algumas realidades bem difíceis sobre você mesma... então a verdade não lhe será negada."
Elizabeth Gilbert
(DO LIVRO COMER, REZAR, AMAR)

quinta-feira, outubro 02, 2008

(pintura de Antero Valério)


"O que a boca cala, o corpo fala, e o que a boca fala, o corpo sara"




(Waldemar Magaldi Fillho)

quarta-feira, setembro 24, 2008

Vôo

Hoje eu me concentro em contemplar paisagens que eu não vejo sempre.
O nascer do sol visto (ilusoriamente) quase ao lado dele é sulibme. Tem uma divindade que me faz reverenciar à natureza e à Deus.

04/06/2008 (no avião)

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Da janela do avião eu vejo as nuvens como se fossem montanhas de uma floresta densa e intacta.
Vejo a luz começando a mostrar sua força num multifacetado colorido.
A luz do avião apaga enquanto escrevo no escuro (sei, eu sei onde fica a luz acima) a floresta de nuvens e o sol se tornam mais nítidos, como um convite que sempre que tem de um lado a escuridão talvez seja para se poder ver mais nitidamente o outro lado.

04/06/2008 (no avião)
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O medo de morrer/controle e depois a liberdade (o medo da)
O quanto a liberdade pode estar associada a solidão.

04/06/2008 (no avião)

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Buracos nas nuvens

Vejo nas nuvens pastos tranqüilos
Canyons com suas profundezas fascinantes
e a vontade de cair no espaço
e ser uma só nele

04/06/2008 (no avião)
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Tam - ida vôo 8077 04/06/2008 04:50
volta vôo 8076 11/06/2008 08:25

segunda-feira, setembro 22, 2008

" QUE BOM É SER
QUALQUER COISA, ASSIM, AO LÉU,
UMA PLUMA DE VENDER,
UM PENSAMENTO, UM CHAPÉU,
ENFIM SER, TÃO-SOMENTE ISTO,
SER APENAS PELO MEIO,
SEM UM NOME, SEM UM MISTO
DE ANCORAGEM OU DE ENLEIO,
SER NADA (NÃO É POSSÍVEL)
SER TUDO (MAS É DEMAIS)
SER ENTÃO O INDEFINÍVEL
NEM TÃO POUCO, NEM DEMAIS"

(ARMINDO TREVISAN)

Murmúrio

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

(Murmúrio - Cecília Meireles)

segunda-feira, setembro 01, 2008




GESTALT-TERAPIA

A CLÍNICA DA NEUROSE
TEORIA E MANEJO



“...um homem rumando para a decepção e a dor não se envolverá seriamente com o ambiente.” (P.H.G. 1997)


LOCAL: CENTRO DE CAPACITAÇÃO EM GESTALT-TERAPIA - CCGT
(Av. Duque de Caxias, 1322, entre Enéas Pinheiro e Pirajá)

DATA: 18 DE OUTUBRO 2008.

PROGRAMA:

1- OCORRÊNCIA DA NEUROSE;
2- TEORIA DA NEUROSE: CONFIGURAÇÃO E MANUTENÇAO;
3- O MANEJO CLÍNICO DOS AJUSTAMENTOS EVITATIVOS.

INVESTIMENTO: R$ 90,00.(profissional) / R$ 60,00 (estudante)

INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES: CCGT: 3276-4448 / 9621-9029.

MINISTRANTE: ADELINO MONTEIRO
GESTALT TERAPEUTA.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Odes de Ricardo Reis

Segue o teu destino,

Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade

Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te.
A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente

Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, 1-7-1916

quinta-feira, agosto 14, 2008

"Não entendo as pessoas que mudam de religião.

Porque mudar de dúvidas?"

Mário (maravilhoso) Quintana


O mais interessante é que seguimos religiões criadas pelo homem em nome de Deus.

O mais importante é a fé. (Lu)


quarta-feira, julho 23, 2008

"(...) Mas entre as qualidades do dinheiro não está a elasticidade..." (p.18) - C. Lispector

"(...)'Não fazer nada' é uma das ocupações mais produtivas do homem." (p.20) - C. Lispector

"(...)Aqui está fazendo um calor que de tão pontual diariamente, já está ficando chato (...)" - (p. 22) C. Lispector

"(...) Eu vivo à espera de inspiração com uma avidez que não dá descanso. Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais desejo no mundo, mesmo mais que o amor." (p. 23) - C. Lispector

"(...) Eu quero uma vida - vida e é por isso que desejo fazer um bloco separado da literatura." (p.23) - C. Lispector

"(...) 'Escrevo porque encontro nisso um prazer que não sei traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..(...)" - (p.27) Em entrevista a Edgard Proença em nossa Terra (Belém) - C. Lispector

Citações das cartas trocadas entre Clarice e suas irmãs, publicadas no livro "Minhas queridas"

sexta-feira, maio 30, 2008

Citações do Amor II

"Em geral, o que dominava o texto era a sensação de que ele vivia num mundo que lhe parecia, quase sempre, mesquinho demais" (p.61)

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"Atendi movido mais a café do que a energia" (p.?)

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"O amor absoluto, sublime, radiante, derrota qualquer sombra, invade e penetra os cantos escuros da minha alma" (p.62)

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"(...) já não sei bem por que estou aqui. Na ação, o sentido se perde. O sentido se mantém mais facilmente nos sonhos". (p.71)

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' "Na verdade, é assim que eu sou", eu disse, "parecido com este horror barroco, complicado sem necessidade, pomposo, falsamente elegante e, sobretudo, atormentado. É um tipo de arquitetura que evoca mais Roma que Florença - A Roma papal barroca, a Roma da Contra-Reforma, feita de desejos inconfessáveis, repetidos compulsivamente, culpados e por isso mesmo praticados até a náusea. É a Roma dos bastidores de um poder que goza sem limites e com um falso pudor - que é a pior maneira de gozar". (p.76)

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"(...) Parar no tempo ou voltar atrás parecia ser seu jeito preferido de reagir à feiúra do mundo." (p.82)

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"(...) À primeira vista, o lugar não parece grande coisa, é despojado, simples, mas aos poucos ele vai transmitindo uma sensação de confiança no mundo, na possibilidade de ele obedecer a um sonho da razão em que funcionalidade e elegância coincidiriam sem esforço, com parcimônia de traços e elementos. Não é só isso: é o sonho de um mundo que não precisaria de explicação alguma, que se justificaria por si só, por sua beleza. (...)" (p.75)

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"(...) estar com você é como viver aqui. E sem as esculturas de Donatello, que Brunelleschi detestava. Quando estou com você tudo me parece claro e natural, simples e bonito. (...)" (p.75)

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"(...) a Renascença é a alegria de poder gostar dos homens a ponto de pintá-los. E, para pintá-los, era preciso colocá-los ao lado ou atrás de um santo ou coisa que o valha" (p.88)

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"(...) ...uma mulher que não precisa de um homem, que é feita para tocar sua própria vida, entende?" (p.100)

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" (...) 'Como um paraíso terrestre perdido'." (p.101)

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"Talvez ele estivesse sobretudo apaixonado por seu próprio estilo, que tentara praticar com as duas. (...)" (p.106)

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"Há uma geração, Pinin, que perdeu o entusiasmo de viver. Eles não conseguem encontrar nas esquinas do dia-a-dia o punhado de aventura que é necessário para colorir a vida. Pagam qualquer preço para se envolver numa história que lhes dê alusão de fazer parte da História." (p.107)

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"(...) A julgar pelo seu tom de voz, ele parecia cansado, mas longe de vencido." (p.115)




quinta-feira, maio 29, 2008

"Citações do Amor"

"(...) Afinal, para quem a gente diz que está livre?" (p.39)

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"(...) Estava vestida do mesmo jeito, uma espécie de uniforme da simplicidade" (p.34)

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"(...) A arquitetura de Michelozzo, como a de Brunelleschi, sempre me ajuda a acreditar que há uma razão no mundo". (p.34)

***** *****

"(...) O cão também, se me lembro direito, é sobretudo o animal que guarda a porta do além" (p.38)

***** *****

Trechos extraídos de O CONTO DO AMOR do Contardo Calligaris.

sexta-feira, maio 23, 2008

Você não pode voltar atrás no que vê.

Você pode se recusar a ver,

o tempo que quiser:

Até o fim de sua vida pode se recusar,

sem necessidade de rever seus mitos

ou movimentar-se de um lugar confortável.

Mas a partir do momento que você vê,

mesmo involuntariamente,

você está perdido. (...)

CAIO FERNANDO ABREU.

Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão;
outra parte é estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
-que é uma questão
de vida ou morte-
será arte?

(FERREIRA GULAR - traduzir-se)

quinta-feira, maio 22, 2008

"Entre ela e Eduardo o ar tinha gosto de sábado. E de súbito os dois eram raros, a raridade no ar. Eles se sentiam raros, não fazendo parte das mil pessoas que andavam pelas ruas. Os dois às vezes eram coniventes, tinham uma vida secreta porque ninguém os compreenderia. E mesmo porque os raros são perseguidos pelo povo que não tolera a insultante ofensa dos que se diferenciavam.Eles escondiam o amor deles para não ferir os olhos dos outros de inveja. Para não feri-los com uma centelha luminosa demais para olhos. "
CLARICE
(estes a Mari me mandou em 26 de março de 2005)

sexta-feira, maio 09, 2008

Será que o preço da consciência é o medo?

quarta-feira, maio 07, 2008

SÉRIE INSETOS

Anteontem estávamos todos em casa. Cada qual no seu quarto. Noite alta. Resolvo sair do quarto não lembro porque e dei de cara com ela. Uma barata enormeeeeee.. Daquelas que entram voando pelo apartamento (moro no primeiro andar)... Nunca mais tínhamos recebido esse tipo de visita...
Berrei!!! Foi meu primeiro ímpeto. Berrei pra Lola voltar pro quarto para não vê-la, fiquei com medo dela querer ir ter com a baratona. Berrei pra minha mãe para que ela me salvasse daquela visita imponente, que estava avançando a passos largos pelo corredor. E berrei inutilmente para meu irmão que, coitado, pegou esse medo de mim. Sim, ele pegou, porque medo é contagioso!
Minha mãe ficou frente a frente com ela, e eu gritava MATA!!! MATA!!! Olhava pra barata, pra Lola que voltou correndo para a minha cama e para a mamãe, neste momento a barata já estava na porta do quarto dela ao lado do meu. Entrei correndo no meu e fechei a porta, quando a minha mãe disse: como matar? Eu também estou com medo! Pensei: f....deu-se!!!! E disse: peraí!!! Usa a minha chinela havaianas (parece publicidade da novela das oito)... E minha mãe então sem pensar deu chineladas, várias e a barata começou a morrer e depois ficou lá... grudada no chão na frente do quarto da mamãe que neste momento estava ofegante deitada em sua cama me sentenciando que ela nunca mais vai matar uma barata porque ela estava passando mal...
ééé..com esta sentença tenho que começar a me preparar para matá-las!!!
E pra tirar a barata de lá? Pedi pra ela, lógico que não, pedi pro meu irmão ele disse que nem estava escutando o que eu estava falando, então só tinha eu e minhas outras "eus"...peguei um papel bem grosso e coloquei a dita em cima e fui quase correndo jogá-la na lata de lixo e fechar a casa toda pois outra poderia vir visitá-la... medo é irracional mesmo, cria até consciência!!
E então ontem fiquei sabendo que outro dia, em pleno dia, vejam só, dia!!!!! Uma barata estava subindo pelo lado de fora do prédio e pronta pra entrar no meu quarto...
Agora me digam: alguém sabe me dizer pra quê as baratas existem????

quinta-feira, abril 17, 2008

Sabedoria Popular

Outro dia estava assistindo ao Jornal na TV e estava passando uma reportagem sobre umas ondas gigantes em São Luiz (me desculpem se eu estiver errada pois não prestei atenção muito na reportagem em si e sim nas pessoas entrevistadas). E com uma mulher muito simples, o repórter perguntando sobre o medo que a população estava sentindo:
- E o coração como fica?
Ela responde:
- Menino! Não sai da boca porque a gente fecha a boca. Mas é a vontade do coração!

Adorei!

quarta-feira, abril 02, 2008

Do Filme Chegadas e Partidas

Às vezes, há uma história por trás da história.

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Enfrentamos nossos medos porque não podemos evitá-los.

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O que é um velório?
É uma despedida

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Há tantas coisas que desconheço.
Se um barbante com nó pode libertar o vento e se um afogado pode acordar então um homem ferido pode se curar.
Quando eu estava aprendendo a pintar, perguntei ao meu professor:



- E se eu errar e pingar tinta no papel o que eu faço? Tenho que refazer tudo?



- Não! Aproveita o pingo no papel e faz alguma coisa com ele. Aproveita o erro e cria algo com ele.



Pensando bem, assim deveria ser a vida...

terça-feira, março 18, 2008

(...) me causa muitas vezes letargia e uma expectativa irreal de que a vida se resolverá sozinha como num passe de mágica. Oscilo entre agarrar meus sonhos e desistir deles e pior ainda, nesta guerra, perco a minha realidade. Mas isso parece distante já. Parece que é ressaca pois me sinto mudando e empreendendo esta mudança.

Realidade: o choque inevitável....Desejos nem sempre são compatíveis com o real.
Às vezes precisamos exercitar o desapego para abrir espaço para coisas novas na nossa vida...

O desapego tem sido um grande exercício para mim... grande e frutífero...e leia-se desapego inclusive de processos mentais, pensamentos, emoções e etc...

A tal da Impermanência

Não tem como ser somente uma máxima teórica mesmo...esta é a prática da vida... as vezes alentadora e as vezes desesperadora, a máxima da impermanência!!!!
Um amigo me escreveu isto: "Parafraseando Rosane Granzotto: não somos serem incompletos, somos seres de criação".
Eu respondi:
É tão bom não pensar na incompletude cultural que nos repassam e acabamos introjetando desde sempre... é tão bom pensar em seres de criação e brincar com a nossa criatividade nos libertando de amarras sociais e fóbicas...
...E nos misturamos no ideal introjetado da sociedade atual o que nos distancia de nossos potenciais.
Sobre isso, estou falando de mim... Tenho feito o caminho inverso. Ao invés de olhar para estereótipos estou olhando pra mim e procurando o meu bem-estar...


(escrevi isto à uma pessoa mto querida)

sexta-feira, março 07, 2008

Julgar

O último aprendizado que eu tive foi não julgar, não emitir opiniões sobre outras pessoas sem ter (o que eu acho que posso ter) o conhecimento total das situações que as envolvem. Como isso é praticamente impossível é melhor me abster de julgamentos e comentários.
Fui julgada e quem me julgou, julgou pela aparência lógica de uma situação. Isto é outra coisa: acho que devemos aprender a nos proteger e deixarmos sempre bem claro situações que podem ser dúbias.
E pela omissão, pela dubialidade (existe essa palavra?) o meu julgamento foi pela aparência da situação.
Ainda bem que deu tempo de reparar. Mas já imaginou o estrago que a gente pode fazer com outrem sem saber realmente o que está acontecendo? E sem buscar coletar informações que julgaremos suficientes??
Será que existe informação suficiente? E a verdade existe?
A verdade se mantém quando pensamos na vida sob a égide da subjetividade?