segunda-feira, junho 21, 2010

CALA A BOCA MARIDILZA!!!!!!!!

Ontem foi aniversário da Tia Heron. Uma festa linda, toda organizada pela Marisanta, um almoço (festa junina) e com direito a ficarmos para assistir o jogo projetado na parede. Eu estava particularmente ansiosa, sempre fico antes do jogo, mas ficar ansiosa dia de domingo é terrível. Eu preferia que os jogos fossem dia de semana ou até mesmo no sábado, domingo realmente é um dia chatíssimo para tanta emoção.
Enfim, toda arrumada com a minha roupa de Brasil para uma festa junina verde e amarela, fui comprar o presente. Resolvi dar uma boneca pra minha tia que fazia 70 anos. É uma boneca russa, tem um significado e também dei um bonequinho que salta de uma caixinha com uma plaquinha: me amarro na sua forma de ser, o que arrancou lágrimas da minha tia, da minha prima e lógico que minhas também, a Patricia  se segurou menina, acreditem vocês!!!!
A festa foi maravilhosa, com direito a outro momento de chôro quando a tia Heron pediu pra Maridilza ler um discurso de agradecimento pros meninos (filhos da Dinda) e em especial pra Dinda que, segundo a tia, encomendou a festa junto à São Pedro lá no céu. Isso se ela  e a mamãe, sassariqueiras do jeito que são, não estavam por lá, todas "empompadas"!!!
Enfim, desde as duas e meia eu comecei a olhar no relógio já em total clima de jogo e medo... Sim, tive medo quando vi o tamanho dos jogadores da CDM, e até falei inocentemente para a Pat: "nossa, imensos!!!! Olha o tamanho desses homens", ela retrucou: "tu já queres né???". Eu fiquei chocada: não entendi! Não sei o que fez ela me dizer isso, eu tão santa, tão comportada e assim.... bem, deixa pra lá... mas não posso deixar de negar que alguns me fizeram olhar mais para aquelas camisas coladas do que para a bola mesmo... Mas... foco Luciana, foco!!!!!
Minha prima Maridilza resolveu virar de uma só vez: torcedora, técnica, jogadora, incentivadora, preparadora técnica, comentarista...e recebeu um tremendo CALA A BOCA MARIDILZA todas as vezes que se pronunciava, até o final do jogo! O Galvão já tem com quem concorrer!
Falando do jogo: um absurdo aquele juíz, um absurdo aqueles mara...opa...trogloditas em cima dos nossos jogadores, um absurdo o gol deles... estou com raiva do juíz até hoje. Mas descobri que Kaká é muito humano e nada santo... Achei até másculo o que ele fez, uiii!!!! Gostei!
Quanto ao nome da bola em 2014 vou com a seguinte opinião de um cara que eu sigo no twitter: "A bola de 2014 pode se chamar "itaquaquecetuba". Só pra fuder com os estrangeiros" (http://twitter.com/o_colecionador)

quinta-feira, junho 17, 2010

Saldo do primeiro jogo (Brasil x arghhhh Coréia do Norte)

03  unhas roídas
02 kg a mais (comendo de nervosismo)
05 palavrões gritados
1578 palavrões mentais
01 P.Q.P. bem alto na hora do gol da coréia
06 pulos (a cada gol tínhamos que dar 3 pulinhos, uma mandinga que uma prima inventou, na dúvida....)
356 suspiros por coxas...
03 discussões a respeito da roupa do Dunga (para o desespero dos homens presentes)
323 vezes gritando vai, vai, vai!!! ou não, não não!!!!
574 figas entre os dedos (mandinga própria)
05 nomes de jogadores decorados (Elano, Maicon, Robino, Julio César, Luis Fabiano) o resto esqueci.

Mas eu não me conformo, não me conformo com o gol da Coréia. Me deixou triste. Acabou o jogo e nem me empolguei pra ir festejar, parecia que não tínhamos ganho jogo algum. Fico dizendo que pra começar é assim, eles ainda não estão tão azeitados juntos e etc...
mas não me conformo.

terça-feira, junho 15, 2010

FELIZ COPA!!!

Eu não gosto muito de futebol, mal sei os campeonatos que existem e sempre me confundo com a importância deles. Só sei que tem jogo na minha cidade quando, aos domingos, saio de casa e vejo as bandeiras na rua.

Sei que é gol quando as pessoas berram... se bem que podem berrar de raiva também...

Mas Copa do Mundo é uma coisa muito diferente... De repente em menos de um mês eu sei todas as regras do jogo, conheço os nomes de todos os jogadores do Brasil, sei sobre a política da CBF e da FIFA e onde eles estão falhando, sei sobre a história das copas e principalmente os nomes também dos jogadores e técnicos antigos.

Fico emocionada, grito, berro, xingo, me pego com os santos, faço figa, mandinga, rezo, rogo praga, enfim, fico ensandecida e completamente envolvida. Horas antes do jogo já não consigo ficar muito bem concentrada (como agora). Enfim, parece que está no ar a emoção da expectativa e o medo do que nem passa pela minha cabeça, pois é simplesmente inadimissível o Brasil perder um jogo logo na primeira fase.

(neste momento paro com a linha de raciocínio e começa uma discussão se inadmissível é com d mudo ou com o i que escrevi acima, um amigo meu diz: - coloca como tu quiseres...), no google, existem as duas formas de escrita, agora estou no dicionário on line: e graças, vejo que é com d mudo. Enfim, escrevi errado acima, então, como uma boa burocrata - onde se lê: inadimissível, leia-se inadmissível...)

Voltando, estou começando a ficar super ansiosa com o jogo. Na Copa do Mundo passada, no último jogo do Brasil, quando eu percebi que não tinha mais jeito, eu nem consegui mais ver o jogo, fiquei na janela da casa de minha amiga, pasmem: chorando.... rsss... hoje fico rindo, mas realmente me transformo.

Tudo bem que amo ver as coxas daqueles jogadores, e tem uns, que dá vontade de mandar a câmera congelar e ficar neles... rola tantos suspiros entre as mulheres que fica constrangedor. 

Mas ontem fiquei imaginando se eu fosse o Dunga... (ainda bem que eu não sou...muito enrugadinho...). E me imaginei no alto de um banco de vestiário e todos aqueles jogadores ao redor ávidos pelas minhas palavras e sabedoria e eu dizendo: gente, não pensem no final, não pensem na Copa do Mundo, pensem apenas que é um jogo cada. Cada jogo é um jogo, apenas isso. E vencendo de jogo em jogo chegamos lá. Mas não vão ainda lá. Fiquem aqui. Foco aqui. Amanhã é Coréia, só essa partida existe. E ao mesmo tempo, pensem que é a bolada de sábado. Um jogo. Apenas um. Um de cada vez. Foco..Se concentrem... e por aí foi a minha divagação... Fiquei pensando se seria uma boa técnica...mas óbvio que isso é derivado da Copa do Mundo... um evento que distribui loucura por aí...

E pra completar, o clima está tão no ar, que um primo meu me contou que desejaram pra ele "Feliz Copa" e ele: - éguaaaaa! Parece Natal já!?! É Bruno, é o Natal do futebol.

Então, hoje, primeiro jogo do Brasil (com a misteriosa Coréia do Norte), desejo à todos: FELIZ COPA!!!!!!!!!

quarta-feira, junho 09, 2010

Amores à uma mãe (im)perfeita II

Tinha algo que me incomodava, mas só vim descobrir lá pelos meados da vida adulta... eu não podia chorar perto da mamãe. Todas as vezes que eu chorava ela fazia uma cara de tanta pena e de tanto sofrimento, que eu acabava achando que o sofrimento dela estava sendo maior do que o meu em me ver chorando, e parava, engolia o chôro. E depois comecei a evitar chorar na frente dela. E quando eu sofria me afastava de casa, chorava na casa de amigas e voltava já "bem" para casa.

Chorei pouquíssimas vezes na frente dela... principalmente depois de ter me tornado "dona do meu nariz"... e sempre falei nas minhas terapias que a mamãe não tinha como me dar suporte se eu sofresse, pois ela sofria mais do que eu...e assim acreditei por muito tempo...e assim me poupei por muito tempo também...

Até que chegou um momento que foi muito difícil, eu já namorava o T. há cinco anos e ele estava desempregado. Eu, apaixonada, com planos de casar, ficar com ele e ele recebe uma proposta do meu cunhado para trabalhar na filial da empresa dele em Macapá. Recebe o convite e aceita. E a viagem aconteceria até no máximo 15 dias após.

Quando ele veio me contar eu desabei... não tinha como demovê-lo da idéia. E eu, egoistamente tentei mesmo... fiz de tudo... e com uma semana entrei numa crise que eu só chorava o dia todo, tinha começado um estágio, eu larguei, tirei uma licença do trabalho e só chorava o dia inteiro. Fiquei mal mesmo, e para a minha grande surpresa, mamãe deu conta. Não só deu conta de me ver sofrer, como também me deu um suporte que eu nunca tinha imaginado que ela era capaz de dar.

E a partir de então eu soube, soube que poderia contar com ela para o resto de nossas vidas...

Quanto ao namorado, eu chorei, sofri, fiquei muito mal, e algo muito estranho aconteceu, ao lidar com o inevitável, no dia seguinte que ele embarcou, eu estava bem. Lutando por um novo estágio, trabalhando e sem derramar uma lágrima. Eu sou assim: o inevitável me dá resignação e acabo me conformando. Depois de 3 meses ele voltou... não sei o que significou pra ele essa viagem...para mim, a iminência da falta dele na minha vida, me deu um presente... o suporte da minha mãe...

terça-feira, junho 08, 2010

Dor

"A palavra é Dor... porque dor não se deixa. Dor é coisa que se leva. Estar dentro da dor é deixar-se levar para depois da dor, é pular o muro e ver a dor do outro lado. Mas dor não se esconde, porque ela aparece..."

"... Para  não andar distraído em cada tristeza como se não fosse nada...."

"Quem tem medo da dor tem medo do dia e da noite. Tem medo das formigas...."

(extraído do filme brasileiro A Festa da Menina Morta)
Henry: - não vai passar nunca, não é?

Jemma: - Não. Mas ainda estamos aqui. Isso é alguma coisa.

(às vezes me sinto assim...)

(esse diálogo foi extraído do filme O Psicólogo)
"Sou o senhor do meu destino...sou o capitão da minha alma".
(Mandela no filme Invictus)

sexta-feira, maio 28, 2010

Amores à uma mãe (im)perfeita - Parte I

Minha mãe não era perfeita... e que bom que ela não era assim...mas até eu chegar a esse pensamento eu penei um bocado tentando mudá-la de acordo com o que eu achava que deveria ser a minha mãe perfeita.

Convivemos por muitos anos sob o mesmo teto, 36 anos (mais precisamente), há um ano e meio eu resolvi ter meu próprio teto e ela, mesmo sentindo minha ausência, me apoiou de diversas formas, uma delas inclusive foi se mudando para um apartamento ainda menor e que, caso minha aventura não desse certo, tava na cara que eu não tinha como voltar pra casa dela a não ser que ficássemos nos batendo o tempo todo naquele minúsculo espaço. Mas isso não foi dito, isso foi sentido por mim, ela não disse nada, nem sei se pensou nisso, na realidade, impulsiva do jeito que era, se apaixonou por aquele apartamento (que eu nunca gostei e que eu não cabia) e teimou. Teimou. Teimou. E se mudou pra lá. Ela era teimosa.... Muito teimosa... E espivitada também.

Então, quando eu era mais nova fui começando a ver e entrever seus vários defeitos que me faziam ressentir da imagem e desejo de ter uma mãe perfeita. Eu ia convivendo com mães de amigas minhas e ao longo da adolescência fui extraindo o que elas me mostravam de melhor e quando me deparava com a minha mãe, exigia que ela tivesse todas essas qualidades como se eu desejasse que, mesmo sendo única, ela fosse múltipla, sábia, centrada, uma super mulher, enfim, buscava nela a segurança que ainda não tinha, o guia para minhas escolhas que ainda não me sabia responsável, com um movimento típico de culpá-la por tudo que não funcionava... Exigi dela por muito tempo que ela fosse quem ela não era.

Ela escutava, as vezes brigava, ficava de mal... se defendia, as vezes não. Eu era a cobradora... demorou um tempo, mas finalmente eu cresci e pude ver que eu não podia querer que ela vivesse por mim, que ela se responsabilizasse por mim, e pude enfim, enxergar a sua humanidade e seus defeitos. E então tive que viver o primeiro luto que era abandonar as minhas expectativas sobre a sua perfeição e ficar com tudo aquilo que ela me dava que era genuinamente dela. Tanto as coisas boas como as coisas ruins.

Mas tem uma coisa que eu agradeço publicamente por ela ter me dado: ela ter se permitido se mostrar com suas imperfeições... isso mesmo, o que eu mais combatia foi a maior herança que ela me deixou. Ela me possibilitou ver a humanidade nela, em mim e em todos os outros que eu me relaciono. Já pensou se ela fosse perfeita? Imagina o quanto eu teria a ilusão de que eu teria que ser perfeita também? Já pensou o quanto eu cobraria a perfeição dos outros? Ufa! Ainda bem ela me livrou disso... Ainda bem.... mesmo com sofrimento consegui respeitá-la em suas imperfeições, perfeitas para o meu crescimento.

E, olhando pra ela, com suas dores, suas lutas, seu sorriso, pude achar em mim a mulher que me tornei como fruto dela e de meu pai. O que eu trouxe de cada um, o que eu não quero de cada um deles...

O último email dela pra mim foi uma declaração de amor de mãe e uma despedida deste mundo. Era meu aniversário, ela morreria 3 dias depois...

sexta-feira, março 05, 2010

Ayla



Quando criança, Ayla, que não entendia nada do mundo e nem seus pais, pois o mundo estava apenas começando e viviam mais como animais do que como conceituamos humanos hoje, não sabia de nada. Ayla apenas vivia. E um dia, a terra se abriu e engoliu seus pais. Ela presenciou aquilo e não entendeu nada. Apenas lhe veio o terror e a tristeza de não ter mais os pais por perto, de se perceber sozinha e de que o mundo poderia ser tão inseguro, mas tão inseguro, sem solidez, que o chão poderia se abrir a qualquer momento e sugá-la também. Assim começa a sua saga. Na pré-história isso aconteceu. Antes da história.
Na história isso ainda acontece com Ayla. Ela sente que seu chão abriu há muito tempo e que ela se segura em uma corda. E sente que está cansada, que muita coisa já foi para o buraco, inclusive o tempo. Mas ela se segura pois é a única coisa que ela conhece e sabe fazer desse mundo que ainda não é mundo para ela.

"Quantas vezes, (...), usamos espelho apenas como retrovisor para reter histórias alheias?
Nossas caras, tão deformadas, tão retocadas, tão disfarçadas, onde estão?

Onde as escondemos que não aparecem no espelho?
Sem a verdade que liberta, jamais estaremos livres de nós mesmos".

Delis Ortiz (jornalista)

sexta-feira, fevereiro 19, 2010




FODA-SE!!!!


(arf! Agora me sinto melhor....)

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Tem dias que eu acordo e peço pra Deus me proteger de mim mesma

domingo, fevereiro 07, 2010

Domingo

Hoje é domingo, acordei com vontade de sair para pular carnaval, pura ilusão.
Minha cabeça dizia: sim!!! Meu corpo não levantava da cama...Controle remoto do meu lado (pra quê??? Pra quê???) e de repente, click! Comecei a assistir um filme dos muitos que um amigo meu gravou pra mim...Fiquei lá: vou ver só meia hora de filme, depois eu paro, me levanto e vou me divertir.... passaram meia hora... e eu: mais meia hora só pra eu ver o que vai acontecer agora.... depois eu me levanto e saio pra vida.... e assim foi....durante as meias horas, telefonemas, convite, e eu dando corda em todo mundo e não me movia, só meus olhos vendo o filme...acabei envolvida no roteiro e fui dando furo. Um a um... me ligavam e eu dizia: aaahhhh! Vou ter que almoçar com a minha mãe....só vou as 4 da tarde....ah!!! não dá pra ti???? Poxa, que pena, então furou!!!! E fiquei lá... enrolando... Mas eu quero ir pular carnaval ainda... juro que quero!!! Já são 4 da tarde e assim que eu terminar aqui e em outros sites que estou, vou por lá... Voltando agora: culminou minha paralisia quando a Lola, sorrateiramente, encostou na minha coxa e ficou lá dormindo, toda cúmplice da minha preguiça. Preguiça com cúmplice é a melhor coisa que existe. fiquei lá. Mas... o filme acabou. E então, minhas desculpas até para mim, acabaram. Fui lavar louça. A casa está toda bagunçada, impressionante...como pode uma mulher e uma cadela bagunçarem tanto em dois dias??? Vou fazendo faxina por partes... planejei tudo: lavar louça agora, tomo banho, me arrumo, vou almoçar na casa da mamãe, vou para o carnaval (que era as 4 da tarde), volto pra casa, lavo a cozinha, tomo outro banho, arrumo o quarto, deito um pouco pra ver o fantástico, no intervalo, arrumo a sala, volto pro fantástico (argh) e no outro intervalo arrumo a cozinha, pronto! O ases da faxina!!!! Tenho um amigo que mora só e me diz que nos dias que a faxineira não vai, ele só anda do quarto pra cozinha e vice-versa pra não sujar a casa.... mas voltando: lavei a louça, fui tomar banho, e fui pra casa da mamãe, até aí estou cumprindo todos os passos.... A surpresa veio quando eu saí de casa, ainda meio preguiçosa, me arrumei, coloquei a coleira na lola, peguei a chave do carro, olhei se o gás estava desligado e desci. E minha surpresa foi no caminho. No caminho fiquei observando o mundo: me espanta a disposição das pessoas em pleno domingo. Era uma festinha de carnaval com 6 pessoas na casa vizinha, todo mundo fantasiado; era um casal estranho andando no meio da rua; um homem lavando na calçada uma daquelas máquinas que colocam frangos para assar; era um homem fazendo churrasco na calçada, enquanto outro preparava a carne, há 3 casas, uma família inteira em torno de uma mesa na calçada, almoçando, sob a sombra de uma barraca de praia, isso tudo uma hora da tarde do calor de Belém.... será que eu que sou estranha???

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Nada nasce antes que se acabe!

(será que é do Tom Jobim?)
A minha repressão é o desejo do outro.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Fonte desconhecida


ilusão é felicidade

quinta-feira, outubro 22, 2009

Hoje me deu gana de faxina. Me deu uma vontade absurda de arrumar toda a casa, olhar papel por papel, rasgar alguns e arquivar outros. Cavucar minhas gavetas, fuçar. Depois pensei que preciso fazer isso com a minha cabeça. Há uns dias venho sentindo essa necessidade. Abrir cada gaveta da minha mente, vasculhar, olhar para o que está lá, ver o que ainda serve e manter; jogar, rasgar o que não me serve mais. Minha cabeça está muito cheia. Deve ser por isso que parece está em outra velocidade, diferente do meu desejo, do meu corpo e até mesmo do que eu posso integrar, pensar, apreender e etc etc etc....

Meu desejo era de parar o mundo para eu poder parar junto.

terça-feira, setembro 29, 2009

"O que devemos ter como principal objeto de conhecimento é o nosso eu, acompanhando-lhe os movimentos, auscultando-lhe os motivos profundos, descobrindo as artimanhas com que disfarça suas intenções, conhecendo-lhes os anseios misteriosos, numa ininterrupta auto-análise, numa incansável pesuisa acerca de quem eu sou."

Professor Hermógenes em Auto Perfeição com Hatha Yoga

sexta-feira, maio 22, 2009

Otimismo 2009


Recebi hoje um email da Coca-Cola falando da semana o Otimismo 2009!!!! Entrei no site e me encantei!!!!
Transcrevendo:

O que é a Semana Otimismo que Transforma?

A Coca-Cola Brasil está na terceira edição da Semana Otimismo que Transforma. Durante os dias 17 a 23 de maio, cada embalagem vendida de qualquer produto do portfólio da Coca-Cola Brasil, como refrigerantes, sucos, águas, chás, energéticos e hidrotônicos, reverterá dois centavos e meio para os programas desenvolvidos pelo Instituto Coca-Cola Brasil.

A campanha reafirma o compromisso da Companhia com o meio ambiente e a responsabilidade social.

O sucesso da campanha depende do seu envolvimento. Participe!


ENTRE TAMBÉM NO SITE DO INSTITUTO
http://www.institutococacola.org.br

Estou apaixonada!

quinta-feira, maio 21, 2009

(da série Eu odeio)


EU ODEIO
BARATA!!!!!!!!

terça-feira, maio 12, 2009

"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto der viver qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. (...) é somente até certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias."

.CLARICE LISPECTOR.

quinta-feira, abril 16, 2009

Andei assistindo uma séria chamada The Tudors (acho que é esse o título) que retrata o reinado na Inglaterra de Henrique VIII (acho que é esse..rsss...a minha memória é ótima). Mas o que me impressionou é que ao ler uma matéria na Revista Veja sobre os gastos no Senado, as regalias dos servidores e as relações institucionais, foi ter encontrado muitas características das relações de poder, regalias, gastos e com o povo que a série mostra...
Acho então que vivemos numa monarquia disfarçada de democracia. Uma pena. Um buraco sem fundo!

Medo

“A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar- se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.”

Marina Colasanti do livro Eu sei, mas não devia.

quarta-feira, março 25, 2009

Tenho percebido que as pessoas não estão suportando mais as dores emocionais, o sofrimento de outras pessoas, principalmente as mais próximas. Parece que o luto ou qualquer outro tipo de dor emocional tem prazo de validade para ser vivido e a partir dali a pessoa tem que "levantar a cabeça e seguir em frente" ou "reagir, não pode se entregar". E com isso, cresce o número de pessoas que só está buscando uma autorização suportiva e acolhedora para que possa sofrer o tempo suficiente para ressignificar suas dores e poder, com isso, autenticamente e efetivamente, "virar a página" e seguir adiante. Ou cresce o número de pessoas que "engolem o chôro", engolem suas dores e sofrem muito mais, inclusive desenvolvendo cada vez mais transtornos.

A dor é um processo natural. O sofrimento seu resultado. Faz parte da vida.

quinta-feira, dezembro 18, 2008


Elisabeth Paiva Baraúna
*21/01/1930 +12/12/2008

Fernando Pessoa escreveu:

“Que a morte me desmembre em outro, e eu fique”

Nada mais certo pensar na morte da Dinda dessa forma. Ela se foi, mas foi desmembrada já em vida pelas sementes de amor que plantava diariamente. E eu não estou exagerando. Era diária a sua ajuda as pessoas. Preocupava-se com todos, gostava de saber como estavam todos. Amava sem medidas. Sem reservas. E seu amor era expresso no mais profundo e mundano cuidado. Desde muito cedo na minha casa chegavam desde frutas até o presente mais caro nas datas festivas.

Ela era assim, o mundo era pequeno pra ela.

Nunca se ausentou da vida. Mesmo com dores ou se sentindo mal ela fazia questão de participar dos mínimos detalhes. Nas manhãs de domingo quando preparava o café da manhã para os seus filhos, nos presentes que queria dar, nas minhas camisolas que chegavam em casa de surpresa. A última que aprontou comigo foram uns pratos que chegaram de surpresa na minha casa porque eu não tinha ainda tempo de comprá-los e ela escutou isso numa conversa com a mamãe.

Dinda foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. Estou sentindo muito a sua falta. Ir lhe visitar e ficar escutando: Menina, emagrece!!!! E depois de meia hora ficar me entupindo de comida porque achou que eu tinha comido pouco no almoço.

Nunca vou esquecer que o café da manhã de cada aniversário meu era dedicado à ela. E acabou virando uma tradição para mim. Sentirei sua falta Dinda.

Para tudo ela tinha uma opinião, um jeito de resolver e era uma sábia. Seus conselhos e sua forma de ditá-los, mesmo nos fazendo rir, até hoje são lembrados por todos os que conviveram com ela.

Infelizmente a morte faz parte da vida, mas têm pessoas que tem o dom de se tornarem imortais pelas sementes que plantaram. Dinda semeou amor, caridade, solidariedade, atenção e justiça por onde passou e com quem conviveu e tocou.

Uma mulher que Deus me deu a benção de me aceitar como sua afilhada e que cumpriu sua missão como poucas.

E hoje sou tomada de um sentimento de profunda reverência e GRATIDÃO à Deus por Ter me permitido participar de sua existência. E GRATIDÃO à ela que me amou e me fez sentir amada de um jeito muito especial. E certamente não é a toa que seu nome significa CONSAGRADA À DEUS!

Obrigada Dinda! Eu te amo!

terça-feira, outubro 21, 2008

Jung acreditava que na vida cada indivíduo tem como tarefa uma realização pessoal, o que torna uma pessoa inteira e sólida. Essa tarefa é o alcance da harmonia entre o consciente e o inconsciente.

quinta-feira, outubro 16, 2008

O QUE VOCÊ FARIA SE PUDESSE MODIFICAR A REALIDADE?

sexta-feira, outubro 10, 2008

COMER REZAR AMAR

"Se você tem a coragem de deixar para trás tudo que lhe é familiar e confortável (pode ser qualquer coisa, desde a sua casa aos seus antigos ressentimentos) e embarcar numa jornada em busca da verdade (para dentro ou para fora), e se você tem mesmo a vontade de considerar tudo que acontece nessa jornada como uma pista, e se você aceitar cada um que encontre no caminho como professor, e se estiver preparada, acima de tudo, para encarar (e perdoar) algumas realidades bem difíceis sobre você mesma... então a verdade não lhe será negada."
Elizabeth Gilbert
(DO LIVRO COMER, REZAR, AMAR)

quinta-feira, outubro 02, 2008

(pintura de Antero Valério)


"O que a boca cala, o corpo fala, e o que a boca fala, o corpo sara"




(Waldemar Magaldi Fillho)

quarta-feira, setembro 24, 2008

Vôo

Hoje eu me concentro em contemplar paisagens que eu não vejo sempre.
O nascer do sol visto (ilusoriamente) quase ao lado dele é sulibme. Tem uma divindade que me faz reverenciar à natureza e à Deus.

04/06/2008 (no avião)

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Da janela do avião eu vejo as nuvens como se fossem montanhas de uma floresta densa e intacta.
Vejo a luz começando a mostrar sua força num multifacetado colorido.
A luz do avião apaga enquanto escrevo no escuro (sei, eu sei onde fica a luz acima) a floresta de nuvens e o sol se tornam mais nítidos, como um convite que sempre que tem de um lado a escuridão talvez seja para se poder ver mais nitidamente o outro lado.

04/06/2008 (no avião)
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O medo de morrer/controle e depois a liberdade (o medo da)
O quanto a liberdade pode estar associada a solidão.

04/06/2008 (no avião)

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Buracos nas nuvens

Vejo nas nuvens pastos tranqüilos
Canyons com suas profundezas fascinantes
e a vontade de cair no espaço
e ser uma só nele

04/06/2008 (no avião)
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Tam - ida vôo 8077 04/06/2008 04:50
volta vôo 8076 11/06/2008 08:25

segunda-feira, setembro 22, 2008

" QUE BOM É SER
QUALQUER COISA, ASSIM, AO LÉU,
UMA PLUMA DE VENDER,
UM PENSAMENTO, UM CHAPÉU,
ENFIM SER, TÃO-SOMENTE ISTO,
SER APENAS PELO MEIO,
SEM UM NOME, SEM UM MISTO
DE ANCORAGEM OU DE ENLEIO,
SER NADA (NÃO É POSSÍVEL)
SER TUDO (MAS É DEMAIS)
SER ENTÃO O INDEFINÍVEL
NEM TÃO POUCO, NEM DEMAIS"

(ARMINDO TREVISAN)

Murmúrio

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

(Murmúrio - Cecília Meireles)

segunda-feira, setembro 01, 2008




GESTALT-TERAPIA

A CLÍNICA DA NEUROSE
TEORIA E MANEJO



“...um homem rumando para a decepção e a dor não se envolverá seriamente com o ambiente.” (P.H.G. 1997)


LOCAL: CENTRO DE CAPACITAÇÃO EM GESTALT-TERAPIA - CCGT
(Av. Duque de Caxias, 1322, entre Enéas Pinheiro e Pirajá)

DATA: 18 DE OUTUBRO 2008.

PROGRAMA:

1- OCORRÊNCIA DA NEUROSE;
2- TEORIA DA NEUROSE: CONFIGURAÇÃO E MANUTENÇAO;
3- O MANEJO CLÍNICO DOS AJUSTAMENTOS EVITATIVOS.

INVESTIMENTO: R$ 90,00.(profissional) / R$ 60,00 (estudante)

INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES: CCGT: 3276-4448 / 9621-9029.

MINISTRANTE: ADELINO MONTEIRO
GESTALT TERAPEUTA.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Odes de Ricardo Reis

Segue o teu destino,

Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade

Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te.
A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente

Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, 1-7-1916

quinta-feira, agosto 14, 2008

"Não entendo as pessoas que mudam de religião.

Porque mudar de dúvidas?"

Mário (maravilhoso) Quintana


O mais interessante é que seguimos religiões criadas pelo homem em nome de Deus.

O mais importante é a fé. (Lu)


quarta-feira, julho 23, 2008

"(...) Mas entre as qualidades do dinheiro não está a elasticidade..." (p.18) - C. Lispector

"(...)'Não fazer nada' é uma das ocupações mais produtivas do homem." (p.20) - C. Lispector

"(...)Aqui está fazendo um calor que de tão pontual diariamente, já está ficando chato (...)" - (p. 22) C. Lispector

"(...) Eu vivo à espera de inspiração com uma avidez que não dá descanso. Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais desejo no mundo, mesmo mais que o amor." (p. 23) - C. Lispector

"(...) Eu quero uma vida - vida e é por isso que desejo fazer um bloco separado da literatura." (p.23) - C. Lispector

"(...) 'Escrevo porque encontro nisso um prazer que não sei traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..(...)" - (p.27) Em entrevista a Edgard Proença em nossa Terra (Belém) - C. Lispector

Citações das cartas trocadas entre Clarice e suas irmãs, publicadas no livro "Minhas queridas"

sexta-feira, maio 30, 2008

Citações do Amor II

"Em geral, o que dominava o texto era a sensação de que ele vivia num mundo que lhe parecia, quase sempre, mesquinho demais" (p.61)

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"Atendi movido mais a café do que a energia" (p.?)

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"O amor absoluto, sublime, radiante, derrota qualquer sombra, invade e penetra os cantos escuros da minha alma" (p.62)

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"(...) já não sei bem por que estou aqui. Na ação, o sentido se perde. O sentido se mantém mais facilmente nos sonhos". (p.71)

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' "Na verdade, é assim que eu sou", eu disse, "parecido com este horror barroco, complicado sem necessidade, pomposo, falsamente elegante e, sobretudo, atormentado. É um tipo de arquitetura que evoca mais Roma que Florença - A Roma papal barroca, a Roma da Contra-Reforma, feita de desejos inconfessáveis, repetidos compulsivamente, culpados e por isso mesmo praticados até a náusea. É a Roma dos bastidores de um poder que goza sem limites e com um falso pudor - que é a pior maneira de gozar". (p.76)

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"(...) Parar no tempo ou voltar atrás parecia ser seu jeito preferido de reagir à feiúra do mundo." (p.82)

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"(...) À primeira vista, o lugar não parece grande coisa, é despojado, simples, mas aos poucos ele vai transmitindo uma sensação de confiança no mundo, na possibilidade de ele obedecer a um sonho da razão em que funcionalidade e elegância coincidiriam sem esforço, com parcimônia de traços e elementos. Não é só isso: é o sonho de um mundo que não precisaria de explicação alguma, que se justificaria por si só, por sua beleza. (...)" (p.75)

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"(...) estar com você é como viver aqui. E sem as esculturas de Donatello, que Brunelleschi detestava. Quando estou com você tudo me parece claro e natural, simples e bonito. (...)" (p.75)

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"(...) a Renascença é a alegria de poder gostar dos homens a ponto de pintá-los. E, para pintá-los, era preciso colocá-los ao lado ou atrás de um santo ou coisa que o valha" (p.88)

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"(...) ...uma mulher que não precisa de um homem, que é feita para tocar sua própria vida, entende?" (p.100)

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" (...) 'Como um paraíso terrestre perdido'." (p.101)

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"Talvez ele estivesse sobretudo apaixonado por seu próprio estilo, que tentara praticar com as duas. (...)" (p.106)

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"Há uma geração, Pinin, que perdeu o entusiasmo de viver. Eles não conseguem encontrar nas esquinas do dia-a-dia o punhado de aventura que é necessário para colorir a vida. Pagam qualquer preço para se envolver numa história que lhes dê alusão de fazer parte da História." (p.107)

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"(...) A julgar pelo seu tom de voz, ele parecia cansado, mas longe de vencido." (p.115)




quinta-feira, maio 29, 2008

"Citações do Amor"

"(...) Afinal, para quem a gente diz que está livre?" (p.39)

***** *****

"(...) Estava vestida do mesmo jeito, uma espécie de uniforme da simplicidade" (p.34)

***** *****

"(...) A arquitetura de Michelozzo, como a de Brunelleschi, sempre me ajuda a acreditar que há uma razão no mundo". (p.34)

***** *****

"(...) O cão também, se me lembro direito, é sobretudo o animal que guarda a porta do além" (p.38)

***** *****

Trechos extraídos de O CONTO DO AMOR do Contardo Calligaris.

sexta-feira, maio 23, 2008

Você não pode voltar atrás no que vê.

Você pode se recusar a ver,

o tempo que quiser:

Até o fim de sua vida pode se recusar,

sem necessidade de rever seus mitos

ou movimentar-se de um lugar confortável.

Mas a partir do momento que você vê,

mesmo involuntariamente,

você está perdido. (...)

CAIO FERNANDO ABREU.

Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão;
outra parte é estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
-que é uma questão
de vida ou morte-
será arte?

(FERREIRA GULAR - traduzir-se)

quinta-feira, maio 22, 2008

"Entre ela e Eduardo o ar tinha gosto de sábado. E de súbito os dois eram raros, a raridade no ar. Eles se sentiam raros, não fazendo parte das mil pessoas que andavam pelas ruas. Os dois às vezes eram coniventes, tinham uma vida secreta porque ninguém os compreenderia. E mesmo porque os raros são perseguidos pelo povo que não tolera a insultante ofensa dos que se diferenciavam.Eles escondiam o amor deles para não ferir os olhos dos outros de inveja. Para não feri-los com uma centelha luminosa demais para olhos. "
CLARICE
(estes a Mari me mandou em 26 de março de 2005)

sexta-feira, maio 09, 2008

Será que o preço da consciência é o medo?

quarta-feira, maio 07, 2008

SÉRIE INSETOS

Anteontem estávamos todos em casa. Cada qual no seu quarto. Noite alta. Resolvo sair do quarto não lembro porque e dei de cara com ela. Uma barata enormeeeeee.. Daquelas que entram voando pelo apartamento (moro no primeiro andar)... Nunca mais tínhamos recebido esse tipo de visita...
Berrei!!! Foi meu primeiro ímpeto. Berrei pra Lola voltar pro quarto para não vê-la, fiquei com medo dela querer ir ter com a baratona. Berrei pra minha mãe para que ela me salvasse daquela visita imponente, que estava avançando a passos largos pelo corredor. E berrei inutilmente para meu irmão que, coitado, pegou esse medo de mim. Sim, ele pegou, porque medo é contagioso!
Minha mãe ficou frente a frente com ela, e eu gritava MATA!!! MATA!!! Olhava pra barata, pra Lola que voltou correndo para a minha cama e para a mamãe, neste momento a barata já estava na porta do quarto dela ao lado do meu. Entrei correndo no meu e fechei a porta, quando a minha mãe disse: como matar? Eu também estou com medo! Pensei: f....deu-se!!!! E disse: peraí!!! Usa a minha chinela havaianas (parece publicidade da novela das oito)... E minha mãe então sem pensar deu chineladas, várias e a barata começou a morrer e depois ficou lá... grudada no chão na frente do quarto da mamãe que neste momento estava ofegante deitada em sua cama me sentenciando que ela nunca mais vai matar uma barata porque ela estava passando mal...
ééé..com esta sentença tenho que começar a me preparar para matá-las!!!
E pra tirar a barata de lá? Pedi pra ela, lógico que não, pedi pro meu irmão ele disse que nem estava escutando o que eu estava falando, então só tinha eu e minhas outras "eus"...peguei um papel bem grosso e coloquei a dita em cima e fui quase correndo jogá-la na lata de lixo e fechar a casa toda pois outra poderia vir visitá-la... medo é irracional mesmo, cria até consciência!!
E então ontem fiquei sabendo que outro dia, em pleno dia, vejam só, dia!!!!! Uma barata estava subindo pelo lado de fora do prédio e pronta pra entrar no meu quarto...
Agora me digam: alguém sabe me dizer pra quê as baratas existem????

quinta-feira, abril 17, 2008

Sabedoria Popular

Outro dia estava assistindo ao Jornal na TV e estava passando uma reportagem sobre umas ondas gigantes em São Luiz (me desculpem se eu estiver errada pois não prestei atenção muito na reportagem em si e sim nas pessoas entrevistadas). E com uma mulher muito simples, o repórter perguntando sobre o medo que a população estava sentindo:
- E o coração como fica?
Ela responde:
- Menino! Não sai da boca porque a gente fecha a boca. Mas é a vontade do coração!

Adorei!

quarta-feira, abril 02, 2008

Do Filme Chegadas e Partidas

Às vezes, há uma história por trás da história.

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Enfrentamos nossos medos porque não podemos evitá-los.

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O que é um velório?
É uma despedida

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Há tantas coisas que desconheço.
Se um barbante com nó pode libertar o vento e se um afogado pode acordar então um homem ferido pode se curar.
Quando eu estava aprendendo a pintar, perguntei ao meu professor:



- E se eu errar e pingar tinta no papel o que eu faço? Tenho que refazer tudo?



- Não! Aproveita o pingo no papel e faz alguma coisa com ele. Aproveita o erro e cria algo com ele.



Pensando bem, assim deveria ser a vida...

terça-feira, março 18, 2008

(...) me causa muitas vezes letargia e uma expectativa irreal de que a vida se resolverá sozinha como num passe de mágica. Oscilo entre agarrar meus sonhos e desistir deles e pior ainda, nesta guerra, perco a minha realidade. Mas isso parece distante já. Parece que é ressaca pois me sinto mudando e empreendendo esta mudança.

Realidade: o choque inevitável....Desejos nem sempre são compatíveis com o real.
Às vezes precisamos exercitar o desapego para abrir espaço para coisas novas na nossa vida...

O desapego tem sido um grande exercício para mim... grande e frutífero...e leia-se desapego inclusive de processos mentais, pensamentos, emoções e etc...

A tal da Impermanência

Não tem como ser somente uma máxima teórica mesmo...esta é a prática da vida... as vezes alentadora e as vezes desesperadora, a máxima da impermanência!!!!
Um amigo me escreveu isto: "Parafraseando Rosane Granzotto: não somos serem incompletos, somos seres de criação".
Eu respondi:
É tão bom não pensar na incompletude cultural que nos repassam e acabamos introjetando desde sempre... é tão bom pensar em seres de criação e brincar com a nossa criatividade nos libertando de amarras sociais e fóbicas...
...E nos misturamos no ideal introjetado da sociedade atual o que nos distancia de nossos potenciais.
Sobre isso, estou falando de mim... Tenho feito o caminho inverso. Ao invés de olhar para estereótipos estou olhando pra mim e procurando o meu bem-estar...


(escrevi isto à uma pessoa mto querida)

sexta-feira, março 07, 2008

Julgar

O último aprendizado que eu tive foi não julgar, não emitir opiniões sobre outras pessoas sem ter (o que eu acho que posso ter) o conhecimento total das situações que as envolvem. Como isso é praticamente impossível é melhor me abster de julgamentos e comentários.
Fui julgada e quem me julgou, julgou pela aparência lógica de uma situação. Isto é outra coisa: acho que devemos aprender a nos proteger e deixarmos sempre bem claro situações que podem ser dúbias.
E pela omissão, pela dubialidade (existe essa palavra?) o meu julgamento foi pela aparência da situação.
Ainda bem que deu tempo de reparar. Mas já imaginou o estrago que a gente pode fazer com outrem sem saber realmente o que está acontecendo? E sem buscar coletar informações que julgaremos suficientes??
Será que existe informação suficiente? E a verdade existe?
A verdade se mantém quando pensamos na vida sob a égide da subjetividade?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Borracha

Estou passando minha vida a limpo.
Queria uma borracha mágica e enorme que apagasse tudo que eu já vivi até hoje, todas as decisões que eu tomei, todos os caminhos que eu segui.
Apagaria os fatos mas não a memória deles, para, como num milagre insano, ter a certeza das conseqüências daqueles caminhos e trilhar outros caminhos.
Acho que algumas coisas escolheria de novo outras iria passar ao largo.
Passando a minha vida a limpo.
Encerrando alguns ciclos.
Desapego.
Deixando ir coisas, pessoas, situações, fatos...
E criando espaço...

Hoje eu escrevi para uma amiga que não peço mais à Deus que me ilumine para que os caminhos que estou escolhendo sejam certos. Peço pra Ele somente a opção. Que existam sempre caminhos que eu possa ir. Acho que do contrário é a não-vida.

quinta-feira, janeiro 17, 2008


Hoje eu estou

"Como uma planta que cresce assimilando do solo e do ar nutrientes que lhe ajudarão a crescer, ao mesmo tempo em que cria e desenvolve mecanismos para se proteger de elementos que possam ameaçar a sua existência, filtrando poluentes, desenvolvento raízes fortes, fechando-se ao contato com elementos potencialmente agressivos, criando formas inusitadas para receber o sol ou proteger-se das intempéries." (Selma Ciornai)

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Quando fazemos a leitura de um texto, por mais fiel que saia a leitura, se ficarmos atentos, observando, notaremos que, apesar do treino, dois homens não podem, nem conseguem lê-lo da mesma forma. A subjetividade os trai, ainda que seja a mais sutil possível, só captável por um expert atento. A respiração, a entonaçaõ de uma palavra, denunciam a subjetividade. Alguma marca da subjetividade vamos receber junto com a leitura do texto.
Assim, nos animais e nos bebês humanos temos, como expressão, os signos; no homem adulto, os símbolos.
Esse despreparo institivo acarreta ao homem a condenação de se tornar um animal gregário, não mais pelo instinto, e sim pela dependência. A evolução e o desenvolvimento do bebê humano são intercalados pela presença do outro. E a falta dessa intimidade o condena a buscar eternamente essa complementação.
(...)
Então, durante a falta, organiza-se um espaço para a alucinação perceptiva dessa presença.
(...)
A partir dessa entrada numa outra dimensão, toda a realidade passa pela subjetividade. Nenhum fenômeno escapa desse crivo. A realidade passa a ser apreendida pelo referencial subjetivo individual de cada um, herança do que foi vivido com a inter-relação com esse "outro", que engloba a cultura, a fala e a subjetividade desse mesmo "outro",
(...)
O homem perverte a organização biológica.
Faz greve de fome, mata-se por uma ideologia, alimenta-se não mais para sobreviver, droga-se, destrói sua vida biológica em prol de desejos.
Que ser é esse? Um ser tomado pela subversão dessa organização primitiva, em que a equação era determinada: para o instinto sexual, só a prática sexual, ou o acasalamento, satisfaz o instinto. No homem, ocorre um outro fenômeno. Ele se satisfaz sexualmente pelo olhar, pela fantasia, pela masturbação, afastando-se da procriação. A fêmea humana tem seu "cio" independente do período fértil para a sobrevivência da espécie. Esse fenômeno modifica toda a vida instintiva. E surgem o erotismo e as fantasias, as perversões e as doenças, resultado da supremacia do desejo sobre as funções fisiológicas na busca do prazer.

Regina T. Winter
"Os outros lugares são espelhos em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá."
Ítalo Calvino

quinta-feira, janeiro 03, 2008

7:00h da manhã. O despertador do celular toca. Ela abre o fecha o flip, forma mais rápida de ativar o "soneca". 8 minutos a mais de sono. 8? Ela já tentou colocar 10 minutos. Não conseguiu. Desde que recebeu esse celular sempre fica intrigada com os 8 minutos. Porque não 10? Ela ganhava mais 2. E voltou a fechar os olhos. Tocou de novo. Tem certeza que o celular estava enganando-a. Já? Abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi o teto branco e pálido em cima dos seus olhos. Tela em branco. Tédio.
Mais um dia em que ela tem que se vestir dela mesma, vestir um sorriso, vestir expressões e ir para o mundo se relacionar. Trabalho. Há muito seu trabalho perdeu o viço. O viço de uma adolescente. Há muito em que ela oscila entre suportar um dia a mais e não suportar mais nem levantar da cama. Há muito também que esses dois estados são intercalados sob variados aspectos de humor em que ela abstrai da vida que ela escolheu e sonha com outras vidas. E como uma boneca de corda, consegue um pouco mais de fôlego para o dia seguinte.
Abriu os olhos, olhou a palidez do teto, reflexo de sua vida e pensou: mais um dia. Um dia em que ela chegará atrasada mais uma vez, um dia em que ela se arrastará até o elevador, do elevador para o carro, e tal qual uma autômata segue dirigindo até o local. Lá sai do carro, veste o seu melhor e mais enganador sorriso e vai adiante despejando bom dia aos outros que passam por ela. Engana bem. Só não consegue se enganar. Ela tentava. Tentava sempre, agora não tem mais forças para isso. Ela não se engana mais. Mas também não sabe mais o que é a sua verdade. O que será dela? O que ela quer? Pelo que deve continuar? Pelo que deve viver?
Ela vai pesada na frente do computador e busca um mundo que não é o que ela está. Busca mas também não satisfaz. Ela sabe. Não dá mais pra viajar. Não dá mais pra fingir. Nada mais pode servir de trampolim para a ausência da realidade na fantasia, na esperança. A vida é o que é. O dia a dia é o que é. Tal como o teto: pálido, branco, sem movimento.
Ela se estranha. Existem duas. A fantasiada. Que veste roupas de acordo com a ocasião. Roupas muitas vezes de 1,99. Outras sofisticadas. Que ela até acredita. Mas sabe que não passa de um baile de máscaras.
E então ela descobre, nesse dia, uma forma de se isolar. Vai para uma sala isolada mas deixa a porta aberta. E liga o computador.
Na lentidão espera e olha para o lado.
Então um homem vem e diz: um doce pelos teus pensamentos.
E a desperta, salva dela mesma.
(Em 30/11/2007)

quarta-feira, janeiro 02, 2008

"Que eu faça um mendigo sentar-se à minha mesa, que eu perdoe aquele que me ofende e me esforce por amar, inclusive o meu inimigo, em nome de Cristo, tudo isto, naturalmente, não deixa de ser uma grande virtude. O que faço ao menor dos meus irmãos é ao próprio Cristo que faço. Mas o que acontecerá se descubro, porventura, que o menor, o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar"(?).
Carl Gustav Jung
The Collected Works of CG Jung. Vol XI, Pg 520.
Palavras não são vendidas no atacado. Pelo menos em suas origens. Qualquer outra arte tem que ter no mínimo uma mola que move o mundo. O dinheiro subverteu a arte. De onde vem os pinçéis e as telas? (Em 10.09.2007)
Não consigo desgarrar das palavras. Será que é apego? Não. Muito simples... Mas continuo achando que palavras são gaiolas. Estou construindo aqui gaiolas ou a libertação? Afinal, de que material é feita a vida? Ele tem raiva de mim. Peço que deixe a raiva ficar mas que não me prejudique, a raiva é dele e não minha. Sou frágil. A vida é feita disso: fragilidade. E de inconsistência. A vida é líquida, já diz um título de um livro. Um líquido que escorre entre os dedos das mãos e dos pés para o bueiro da mortalidade. Ou da eternidade. Vida é morte aos pedaços. E a angústia? Outro material que reveste a vida. Angústia é criação... Qual então será a criatura? Isso diz quem eu sou?
Em 10/09/2007

O espião

"espio
no espelho
o espião
que existe
em mim
mas ei-lo
que logo se esconde
atrás
da imagem
que espio
em mim".

Flávio Moreira da Costa (O Espião)
Tudo a que você resiste, persiste"

Karl Gustav Jung (1875-1961)
"... Dependência não se discute, arruma-se qualquer desculpa para mantê-la"
Carpinejar...

"... o amor tem a mania da sincronia. Pune quem se antecipa ou chega atrasado."
Carpinejar...

"Antecipa o fim porque não está disposto a recomeçar..."
Carpinejar...

Reticências depois do nome do Carpinejar indica o que penso dele: ilimitado...

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Sobre o Natal:

"Simplifique sua comemoração.
O maior nem sempre é o melhor.
O caro nem sempre é valioso.
O que leva tempo nem sempre dura".

(Karen Katafiasz)
"Ninguém pode compreender ou imaginar todas as maravilhas do mundo que são invisíveis e que nunca poderão ser admiradas".
(redator-chefe do jornal nova-iorquino “The Sun”, numa manhã de setembro de 1897).

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Uma vontade de escrever e um vazio na mente...
Cansaço. Puro cansaço. Um cansaço que me remete a um caráter atávico. Não. Não é atávico. É enraízado.
Raíz. Asas da imobilidade.
Liberdade.
Mas isso é um embuste. Continuo sem nada na minha mente.
A não ser o cansaço.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Vida Simples

É o título de uma revista mensal que sempre leio.

Voluntariado, ecologia, arte, literatura, filosofia, poesia, dicas, perguntas curiosas, pensamentos, imagens...
Visitem o site e vejam como é bom: http://vidasimples.abril.com.br/

Falando nisso, por ela soube que o Dia Internacional do Voluntariado foi ontem!!!!!!

terça-feira, dezembro 04, 2007

O primeiro olhar

Um dos filhotes da minha Lola abriu os dois olhos pela primeira vez ontem.
Fiz ele me olhar bem de perto...
Mas depois pensei:
como será olhar o mundo pela primeira vez?


E então lembro de Alberto Caeiro quando diz: "não é bastante
não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".

sexta-feira, novembro 30, 2007

será que o mundo da arte vai libertá-la?

quinta-feira, novembro 29, 2007

(...) Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar (...) leia +
http://www.releituras.com/jsaramago_conto.asp

José Saramago

sexta-feira, novembro 23, 2007

Desejo para mim!

Amor Pra Recomeçar

Eu te desejo não parar tão cedo
Pois toda idade tem prazer e medo
E com os que erram feio e bastante
Que você consiga ser tolerante
Quando você ficar triste
Que seja por um dia, e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom,
mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar
Pra recomeçar
Eu te desejo, muitos amigos
Mas que em um você possa confiar
E que tenha até inimigos
Pra você não deixar de duvidar
Quando você ficar triste
Que seja por um dia, e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom,
mas que rir de tudo é desespero
Desejo que você tenha quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar
Pra recomeçar

Eu desejo que você ganhe dinheiro
Pois é preciso viver também
E que você diga a ele, pelo menos uma vez,
Quem é mesmo dono de quem

Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar
Eu desejo que você tenha quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar
(Frejat)

quinta-feira, novembro 22, 2007

Convite

Vejam que lindo que eu recebi!

Quando me ligaram do Colégio dos meus filhos convidando-me a participar do projeto “Os pais contam o conto” - um projeto de um cunho social, cujos valores arrecadados serão integralmente doados às instituições de caridade - para fazer o papel do Pinóquio na peça intitulada “As aventuras de Pinóquio na Amazônia”, confesso que fiquei meio inseguro acerca do “mico que poderia pagar”. Ademais, como iria arranjar “tempo” para os ensaios, fantasias, textos, etc...?
Contudo, refletindo mais um pouco observei que durante o processo educacional de nossas crianças, acabamos por cobrar-lhes muitos valores que, na maioria das vezes, por um motivo ou por outro, nós mesmos, enquanto pais e orientadores principais, não lhes repassamos.
Educação é exemplo!!! Isto é dito de forma retumbante por 10 entre 10 educadores e me parece não ser novidade para nós classe média, uma vez que nossos avós, isso já o repetiam. Chega a ser até mesmo um conhecimento...digamos, intrínseco.
O que corre é que, freqüentemente, estamos diante do óbvio e não o vemos. Repetir, falar, não é a mesma coisa que fazer, evidentemente.
Então, como cobrar de nossos filhos de que eles sejam dinâmicos, eficientes, corteses, ecologicamente e socialmente conscientes, se nós mesmos não o somos? Como cobrar de que eles tenham desenvoltura para falar em público, se nós mesmos não a temos e - se temos - não a demonstramos a eles? Como cobrar adultos seguros e equilibrados socialmente se nós mesmos não impomos os limites? Como cobrar responsabilidade social se nós mesmos não temos “tempo” para desenvolver nossos projetos imaginários e que nunca se concretizam? Como cobrar de que eles sejam os nossos “atores sociais” do 3º milênio, se não subimos no palco da vida e os ensinamos de verdade?
Gerar é fácil, e é bom...criar...bem, criar não é tão difícil...alimente-os bem, compre roupa da zoomp, sapato da nike, pague a escola, inglês, kumon, balet, natação, clube e você cria seus filhos com tranqüilidade... Mas, educar...ai são outros 500...Educar depende quase que exclusivamente de nós, do nosso esforço pessoal, da sensibilidade, do carinho, do amor incondicional que temos pelos pequenos, inclusive do amor que recebemos dos nossos pais, enfim, do nosso exemplo...e isso, meus queridos, não – é – fácil.
Então, resolvi ir e conferir a “estória” de Pinóquio e observei que a inspiração do criador do conto, Carlo Collodi, 1881, foi ainda mais maravilhosa do que se imagina.
Quantos Gepetos há no mundo? Quantos pais são capazes de vender seu próprio casaco em benefício do futuro do seu filho (na atualidade a maioria vende o seu precioso tempo)? Quantos ainda fazem isso, mas sem esquecer da importância dos limites, da educação e da cultura na vida dos deles? E quantos de nós não fomos, somos ou estamos um pouco Pinóquio?
O prólogo da “estória” é mais ou menos assim (Segundo Sandra Britto – Roteirista e diretora da Peça):
Pinóquio um boneco de madeira, que a princípio nem humano é, mas que aos poucos vai se transformando em um menino de verdade – é a tão almejada maturidade, despertada pelo amor incondicional do seu pai Gepeto – um marceneiro, capaz de vender seu próprio casaco e passar frio, só para dar a oportunidade para o menino de madeira estudar. E, lá se vai Pinóquio com o prazer demasiado de querer ser feliz sem pensar nas conseqüências dos seus atos, sem saber ao certo o que é o Bem ou o Mal, apenas seguindo, caminhando e caindo nas tentações provocadas pela astúcia da Raposa e do Gato. Como proteção, a Fada-Azul, deu-lhe de presente algo precioso, o Grilo-Falante, que não lhe impõe absolutamente nada, apenas lhe aconselha, numa sabedoria aliada a uma afetividade, que conduz, mas o deixa livre para decidi o que fazer. Pinóquio descobre que nem tudo pode ser como queremos, que podemos ser contrariados, que nem sempre a nossa vontade impera, que somos falíveis, possíveis de erros e acertos, somos duais, mas o que importa é a lição que tiramos de cada erro, o que fazemos depois. Pinóquio, o boneco de madeira que não sabia ao certo o que era o amor e sai do egoísmo, do egocentrismo para o altruísmo, sente medo, percebe o quanto errou, descobre o choro, a saudade... descobre, o valor do trabalho e o quanto é amado pelo pai e valoriza o amor, e ao salvar a vida de Gepeto, acaba por salvar a si mesmo: torna-se um menino de verdade, com critério, uma criança cheia, reflexo do sentimento mais nobre do qual foi criado: O amor!
Assim meus queridos amigos é que convido vocês a participarem junto conosco, quer no palco ou fora dele, desta doce aventura. O melhor de tudo isto será, se por qualquer relance, independentemente de sermos atores ou platéia, pudermos presenciar nos olhos de qualquer criança ali presente, a percepção de que, lá no fundo, este pequenino ser está aprendendo ludicamente as lições da vida.
Que este espetáculo seja um abrir de um livro infantil, cheio de olhares brilhantes, repletos de expectativas, um momento de alegria, otimismo, intimidade com nossos filhos, autoconhecimento, sem rabugices e com muita afetividade.
Participe !!!
Um grande abraço.

Paulo Ivan Borges
(Pai do Lucas Gabriel e do Matheus Vinícius)


Dias 24 (17:30 e 19:00) e 25 (17:00) de novembro no Teatro Margarida Schivasappa – No Centur
Ingressos antecipados no Colégio ou no Teatro.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Passeando aqui e ali acho ditos preciosos como esses:

"Sigo entre o medo da rejeição e o hábito da dor".

"E que eu me repita em minhas reticências..."

Eu sei o que significou isso pra mim. Se vocês quiserem perguntar pra ele o que ele quis dizer, podem ir lá http://divadoboemio.blogspot.com/

terça-feira, novembro 13, 2007



E foi naquela epoca...

A poesia chegou me procurando.

Eu nao sei, nao sei de onde ela veio,

se de um inverno ou de um rio.

Eu nao sei como nem quando.

Nao, nao eram vozes,

nao eram palavras, nem silêncio;

mas de uma rua eu fui chamado abruptamente

dos ramos da noite, dos outros,

no meio de um tiroteio violento,

e num retorno solitario la estava eu

sem um rosto... e ela me tocou.


Pablo Neruda

O (doce) Carteiro e o Poeta

Às vezes escrever não dá a dimensão do que eu sinto. Este filme pode ser expressado mais perfeitamente por um movimento em minhas mãos, que intencionalmente, refletem a leveza e a beleza que experenciei.
Não sou nenhuma crítica, quando eu vejo um filme eu não analiso, eu experencio, eu vivo, eu entro no filme, faço parte. E, muitas vezes, me passam despercebidos os detalhes técnicos. Mas como, ao viver, se pode olhar a técnica?
Conhecia já a poesia de Pablo Neruda. Num contato fugaz. Pois ao ler Pablo, preferi Pessoa. Não como forma de comparação. Até porque são incomparáveis. E sim, pelo meu momento mesmo.
Então meu irmão, que começa a descobrir o doce lado da poesia, foi ao meu quarto e resgatou Pablo. E então foi atrás do filme e pediu que eu assistisse. Demorei 3 dias pensando se eu ia ver ou não. E resolvi ver no domingo. Belo dia para um filme como esse.
E então, surpreendentemente, me peguei com o desejo imenso de ler mais Neruda. De conhecer mais.
O filme é leve. Em um tempo inexistente em minha realidade. Parece-me que no filme o tempo tinha seu ritmo próprio que não é o tempo de agora. Os olhares, as palavras, a música, o mar, os conflitos, todos esmiuçados com calma, no tempo que lhes era necessário.
Agora, lindo foi o ator que fez o carteiro, Massimo. Ele era tão bom, tão bom, que de repente me peguei pensando se, na "vida real", ele tinha aquele jeito mesmo e o confundi com o seu personagem.
Senti junto com ele sua angústia por uma vida melhor, um lugar melhor, a busca pelas palavras, pelas metáforas, a vontade de ser poeta, o desejo de conquistar o amor, a febre de uma paixão, as desilusões pelas expectativas, a busca pela conquista de um mundo melhor. O carteiro (que acho que se chamava Mário no filme) que tinha somente um destinatário, conseguiu dar uma nova amplitude em sua vida ao se entregar para o que a vida lhe acenava.
Duas cenas me foram tocantes: uma quando Pablo diz à ele que ele tinha "roubado" uma poesia dele e ele diz que a poesia não é de quem a escreve e sim, de quem necessita dela. P E R F E I T O. Isto é falado com tanta simplicidade e sabedoria que Pablo se cala diante de sua sinceridade e angústia. A poesia não é de quem a escreve e sim de quem necessita dela. O que mais na vida é assim?
Uma outra cena quando Pablo diz que está com problemas com a água e Mário responde: vc tem água? Ele diz: não. Então Mário diz: ah então não é problema!
A realidade do vilarejo é a falta d´água, se Pablo tivesse água isso seria problema. Perfeito. A realidade de cada um é o seu retrato da perfeição (mesmo que seja imperfeito para outros).
Bem, chorei que me acabei no final, quando infelizmente Pablo não manteve o contato que Mário ansiava, e, depois de muitos anos resolve visitá-lo e a esposa diz que ele falecera. Chorei, chorei pela sua expectativa não realizada, chorei pelo seu amor que ficou não correspondido, chorei pela sua esperança (espera) que foi contemplada quando ele não mais estava lá para ver, chorei pela violência da forma como ele morreu e devo, em algum nível, ter chorado por mim também.
Então, não contente, fui ver os extras do filme e então, eis que vem a notícia de que o ator que fez o carteiro morreu ou durante o filme ou no final das filmagens. E aí eu chorei de novo, e experenciei um sentimento de pesar por ele que eu nem conhecia. Mas que, ao viver e morrer pela sua arte, me fez renascer de alguma forma.

segunda-feira, novembro 12, 2007

"Consentir com a própria morte e renascer, não é fácil!" (Perls)

Sem comentários...eles estão povoando e gritando na minha mente..então quando eu conseguir organizá-los, eu vou colocando aqui.

domingo, novembro 11, 2007

IRA

Ontem foi o dia dos consertos. 4 calças na costureira pra fazer a bainha... e sapatos no sapateiro. Um deles tive que mandar refazer a banda do sapato pois a Lola adorou comê-la. Quando estava andando na rua entre um sapateiro e outro, passo por um grupo de pessoas e um homem muito exaltado exclamava:
- Eu mato ele!!! Eu degolo ele aqui mesmo na rua e ainda bebo o sangue dele!!! Ele vai ver como eu sou homem!!!
Quase que eu paro e digo: homem não né? Mas aí a degolada seria eu...Gracinhas idiotas a parte.
Levei um choque. E as palavras dele ficaram ressoando na minha mente.
Me digam: o que está acontecendo? Ou melhor o que sempre aconteceu com o homem? Onde foi que se errou a receita?

sábado, novembro 10, 2007

Já mandei consertar meu relógio.....mesmo assim....

“Foge o irrecuperável tempo”,
dizia o poeta latino Virgílio (70-19 a.C.).
Uma amiga me enviou isso e eu gostei, coloco aqui:

Anjo louro, deixe o lado filosófico da psicologia e admita....
Fantasiamos e mergulhamos pra dentro, logo, o que fantasiamos não pode estar associado a responsabilidades, transferência de sentimentos ou até mesmo a "culpa".
É eu sei que a indecisão é uma sombra....eu sei...

E eu respondi:
ainda bem que o que fantasiamos n pode estar associado a responsabilidades...acho que só aí poderemos, se dermos conta, ser LIVRES!!!
A indecisão é uma sombra mas tb é apego...

quarta-feira, outubro 31, 2007

Vou colocar aqui algumas letras que me chamaram a atenção no livro O carrasco do amor e outras histórias sobre psicoterapia de Irvin D. Yalom.

"(..) da falta de sentido de o terapeuta se apressar com uma interpretação, ainda que seja boa como essa. Os pacientes, como todas as outras pessoas, se beneficiam principalmente de uma verdade que eles, eles próprios, descobrem." (p.121)

"(...) eu acreditava que o medo da morte era sempre maior naqueles que sentiam que não viveram plenamente suas vidas. Uma fórmula funcional muito boa seria: quanto mais a vida não é vivida, ou seu potencial não é realizado, maior a angústia da morte." (p.121)

"(...) (Nós todos conservamos certa angústia em relação à morte. É o preço do ingresso na auto-consciência.)" (p.122)

"(...) embora a realidade da morte nos destrua, a idéia da morte pode nos salvar. Em outras palavras, nossa consciência da morte pode lançar uma perspectiva diferente sobre a vida e nos incitar a reorganizar nossas prioridades. (...)" (p.122)

"(...) poderia aprender a partir da consciência da morte era a de que a vida precisa ser vivida agora; ela não pode ser adiada indefinidamente.(...) (p.122)

"(...)Um dos axiomas da psicoterapia é que os sentimentos importantes que um tem pelo outro sempre são comunicados por algum canal - se não verbalmente, então de forma não verbal. (...)"(p.125)

"(...) as questões jamais são resolvidas completamente na terapia. (...)" (p.125)

Bem, está aí...aproveitem!





Ontem fui na Fox trocar um livro que minha mãe me deu e que eu já tinha e acabei comprando outros vários. Comprei: O carrasco do amor e outras histórias sobre psicoterapia de Irvin Yalom, O Evangelho segundo o Filho (não lembro quem é o autor), Terapia Gestáltica e a Inversão da Queda ( do maravilhoso Alejandro) e o quarto livro da série Filhos da Terra que já falei sobre ele aqui.
Falando nisso vou falar de outra coisa que nem é o motivo desse post. Meu dia ontem foi muito diferente. Saí mais cedo do trabalho para fazer algo que eu amo mas que não vou revelar agora, e me fez sentir muito bem. Depois que voltei pra casa, peguei a Lola e fomos (eu, a Laura e a Fernanda - sogras da Lola) levar a minha filhota pra fazer uma ultrassom...pq...pasmem!!! Ela está grávida!!!!!
Fiquei simplesmente maravilhada com o milagre da vida (e interessante que este post originalmente era pra falar tb sobre a morte, coisas que eu pinçei de um dos livros novos)... Ver aqueles serezinhos se mexendo. Juro que vi um abrindo a boca, o médico que me mostrou, e mexendo as patinhas. Outro deu bem pra ver o focinho e até brincamos que esse parecia com o Toby (marido da Lola) que tem um focinho mais curto que o dela. E, para a minha pasma surpresa, o médico revela que, devem ser de 04 a 06 filhotes!!! Eu esperava no máximo 04!!!
Vcs imaginam o que vai ser de mim com 6 filhotes e mais a Lola em casa??? Aiiiii...queria tanto tirar 40 dias pra ficar só com eles!!! E daqui pro final do mês tenho certeza que a Lola não andará mais e sim vai rolar feito uma bola pois a barriga dela já está com essa forma. Tiramos mil fotos ontem e filmamos. Vou colocar todas aqui. Aguardem!
Me emocionei feito uma idiota na ultrassom e consegui disfarçar e engolir minha emoção pra não chorar na frente de todos ( o que eu ainda faço comigo não é?)...mas ver aqueles seres se mexendo, vivendo, se transformando e existindo na barriga da Lola foi muito especial pra mim. E fiquei numa atitude de reverência frente a formação da vida. Frente a Natureza que é a nossa verdadeira forma de Deus. Independente de tudo eles estão lá, se comunicando, se nutrindo e crescendo... e começando a existir. Já tem vida!!! E muita vitalidade!!! Simplesmente emocionante. Tenho certeza que este contato com a formação da vida ainda vai reverberar muito em mim e no meu processo de (re)significação de minha própria existência, de minha própria vida.
Deixei a Lolita em casa e fui correndo para o consultório. Como numa sincronia, meus clientes desmarcaram todos. Depois fiquei pensando se iria ter escuta com tantas vidas povoando o meu ser naquele momento. Estava com tanta energia que a minha vontade era de correr. E a Alcy foi encontrar comigo lá. Resolvemos questões de trabalho e fomos pra Fox trocar meu livro. Foi ótimo, foi leve, rimos mto lá e com o meu contato com os felinos de lá, começo a fazer as pazes com eles. A Luana (que não gosta de cães mas é apaixonada por gatos) tem contribuido muito para que eu goste dele (que sou apaixonada por cães e não gostava de gatos)... Temos um projeto juntas que nao vou ainda comentar aqui, mas que me causa uma expectativa maravilhosa!!!
Bem... estou agora pensando se começo o que vim fazer nesse post ou se deixo para outro.
Vou deixar para o daí de cima pq acho que tá ficando comprido demais esse.
Então esse é só vida...
A morte vem depois
(ou caminha junto?)

quarta-feira, outubro 24, 2007


Ganhei de presente da minha amiga Kiara!!!
Obrigada, fico muito feliz!!!!
E tenho que mandar pra cinco pessoas então lá vai:
Para o Léo (meu baiano): http://blog.xleox.org/
E depois vou vendo e colocando
Beijos